Durante o depoimento na tarde de hoje (4), em audiência sobre a morte do rapaz que foi decapitado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), o réu Lucas Carmona de Souza, 20 anos, começou negando toda e qualquer participação no crime e envolvimento com a facção criminosa, mas após passar mal durante a fala e sair do Tribunal do Júri, mudou a versão dos fatos contados e admitiu ter conhecimento dos fatos. Próxima audiência está marcada para dia 8 de junho, às 14h.
Sete pessoas são réus do processo sobre a morte de Rudnei da Silva Rocha, conhecido como “Babidi”, no ano passado. A vítima era traficante e integrante do PCC, no entanto ele teria se filiado ao Comando Vermelho, facção rival.
Com essa “mudança de lado”, Ayumi Chaves da Silva, 21 anos, Lucas Carmona de Souza, 20 anos, Valdeir Lourenço, 44 anos, Rodrigo Roberto Rodrigues, 18 anos, Roberto Railson Maia da Silva, 21 anos, Cristiane Gomes Nogueira Rodrigues, 31 anos, Mike Davison Medeiros da Silva, 19 anos, e uma adolescente de 17 anos são acusados de realizar uma espécie de “julgamento” da facção, que acabou com a pena de morte a Babidi.
Para esta tarde, 22 testemunhas foram chamadas a prestar depoimento sobre o caso. Destes, oito não compareceram e sete foram dispensados pela acusação e pelos advogados de defesa dos réus. Apenas a mãe de Ayumi não foi dispensada pelo advogado de defesa e ela será ouvida na próxima audiência, marcada para dia 8 de junho, às 14h.
Após a fala de 11 policiais civis e militares, da mãe de Roberto Railson, do marido de Cristiane e do irmão da vítima, os réus foram perguntados se gostariam de já prestar depoimento ou aguardariam a oitiva da última testemunha. Apenas Lucas optou em falar hoje.
Dos sete réus, Lucas, Rodrigo, Roberto e Mike estão presos em regime fechado. Valdeir está no semiaberto e Cristiane está cumprindo pena em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Ayumi também cumpria prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira e não foi mais encontrada, passando a ser considerada foragida.
MORTE
Cristiane, conhecida como “Polêmica”, seria a responsável pela disciplina dos integrantes da facção. Quem cometer algum “delito” interno, passa por esse julgamento, que tem a ordem final vinda de dentro do presídio, por líderes do PCC.
Com a pena de morte definida, Roberto Railson e Rodrigo Roberto levaram Babidi até o banheiro da casa de Ayumi, que cedeu o local, e o executaram com uma facada no pescoço. Após a morte, os dois terminaram de degolar a vítima, enrolaram o corpo em um cobertor e abandonaram no Indubrasil.
Mike e Lucas também foram convocados para o “julgamento”, mas estavam embriagados no momento e foram dispensados, pois há uma regra interna do PCC que não autoriza a participação se o integrante estiver embriagado.
A adolescente de 17 anos teve a casa usada como primeira reunião do “julgamento”. Em seguida, os integrantes levaram o encontro até a casa de Ayumi.