Idosa de 69 anos, a mãe de um dos sócios da empresa Mineworld, especializada na suposta mineração de bitcoins (criptomoedas) e alvo de investigações por parte do Ministério Público Estadual, procurou a Polícia Civil de Campo Grande para denunciar ameaça recebida por um ex-cliente do filho dela, na própria casa.
O registro da ocorrência feito na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) da região central foi feito somente nesta quarta-feira (9), apesar do crime ter ocorrido no último dia 4.
De acordo com ela, o suspeito exigiu que ela comprasse R$ 20 mil em móveis em uma conhecida loja de varejo para mobiliar o escritório da empresa. Diante da recusa, ele se alterou e disse que "ajuntaria mais de 100 pessoas para ir até a casa."
Asssustada, a idosa, disse que não tinha relação nenhuma com a empresa do filho e decidiu representar criminalmente a queixa, temendo pela sua integridade física. O caso será investigado.
As mineradoras Minerworld e Bitpago Soluções de Pagamento, ambas com sede em Campo Grande, e BitOfertas Informática, localizada na Capital e também na cidade de São Paulo, foram Alvos da Operação Lucro Fácil, deflagrada no dia 17 de novembro do ano passado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPE, pela prática de pirâmide financeira por meio da suposta mineração de bitcoins.
No mesmo dia das ameaças, o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, negou pedido de sigilo no processo. Além disso, determinou o bloqueio de R$ 1,3 milhão da Bit Ofertas Informática, empresa que, junto com a Bitpago, prestava suporte à Minerworld.
No que se refere ao sigilo, a Justiça entende que todos os consumidores lesados têm direito de acompanhar o processo. Ao todo, são aproximadamente 50 mil vítimas. "O pedido para que se mantenha em segredo de justiça o processo, para preservar a intimidade de uma testemunha que teria informações importantes, é incompatível com a natureza do processo coletivo de que trata o Código de Defesa do Consumidor", lê-se na decisão judicial.
Na ação coletiva de consumo, o juiz já havia determinado bloqueio de até R$ 300 milhões em bens de todos as pessoas físicas e jurídicas investigadas. Somente da Bit Ofertas, foram bloqueados R$ 1.369.330,71. Também houve bloqueio de mais R$ 70 mil em mais cinco contas. Cícero Saad Cruz, um dos chefes do esquema milionário, declarou como único bem, de forma suspeita, uma moto Honda CG 125 Fan KS preta, 2011, avaliada em R$ 4,1 mil.
ERRATA
Na matéria divulgada às 18h20 de quarta-feira (9), a reportagem do Portal Correio do Estado informou que uma idosa teria sido ameaçada pelo filho, que é proprietário de uma empresa de bitcoins, mas, diferente do que foi noticiado, a vítima sofreu ameaças de outro homem, ex-cliente da empresa da qual o filho é proprietário.