A falta de segurança agravou-se nos últimos dias em Campo Grande, com uma nova onda de assaltos e até roubo seguido de morte. Sem uma ação preventiva eficiente e também com um trabalho repressivo insatisfatório, bandidos estão agindo livremente na cidade, fazendo vítimas em casas, nas ruas e mesmo em estabelecimentos comerciais.
Segundo dados estatísticos on-line da própria Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), de 1º de janeiro deste ano até ontem, foram registradas na Capital 2.310 ocorrências de roubo. Em Mato Grosso do Sul, os números também são expressivos no mesmo período, chegando a 3.650 ocorrências.
Somente nos nove dias do mês de maio, por exemplo, a polícia já acumula 141 registros de roubos em Campo Grande e 234 em todo o Estado. A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) – que teoricamente está envolvida na investigação – e a Sejusp ainda não se manifestaram sobre a gravidade do problema.
Na madrugada de ontem, um taxista de 39 anos foi rendido por assaltante durante uma falsa corrida, na Avenida Afono Pena, região central da cidade. Depois de anunciar o assalto, o criminoso fez o taxista percorrer pela região sul, cometeu outros três roubos e fugiu com R$ 400 e dois celulares do motorista de táxi.
TERROR EM CASA
Na noite de terça-feira, um proprietário de açougue foi rendido por cinco assaltantes ao sair de casa, no Bairro Nova Lima, para pegar lanche no portão. Os criminosos invadiram a residência da vítima e conseguiram levar R$ 12,5 mil, além de uma televisão, joias e celulares. A família do comerciante e o entregador de lanche ficaram como reféns.
Na noite anterior, dois veículos foram roubados na cidade. Em um dos casos, duas mulheres foram rendidas enquanto chegavam em casa, na região da Vila Palmira, e obrigadas a ficar trancadas no banheiro, enquanto o ladrão tomava o veículo. Em outro episódio, a vítima foi rendida ao estacionar o carro entre as Ruas Felipe Calarge e Tapirapes, no Bairro Guanandy.
Na tarde de segunda-feira, grupo armado roubou malote com R$ 35 mil de uma empresa que fazia o pagamento de funcionários, no Núcleo Industrial. Pelo menos quatro homens, dois em motos e outros dois em um carro modelo Ágile preto, participaram do assalto. A suspeita é de que tenham recebido informações privilegiadas.
LATROCÍNIO
Mas o caso de maior violência que retrata o quadro de insegurança em Campo Grande aconteceu ao amanhecer de segunda-feira, na Avenida Mato Grosso, próximo à Rua dos Ferroviários e Avenida Calógeras. O auxiliar de pedreiro Antônio Marcos Rodrigues de Souza, 34, foi morto com uma facada no pescoço ao tentar ajudar uma adolescente que estava sendo assaltada em plena via pública.
O crime de latrocínio – roubo e morte – é atribuído a Alexandre Moreira de Moraes, 23. Ele foi preso algumas horas depois, escondido na casa de um conhecido, no Jardim das Mansões. Já havia sido detido outras vezes por furtos na região central. Desta vez, a Justiça transformou a sua prisão em preventiva, de forma que ele fique na prisão, no mínimo, até o fim do processo.