Em seu sétimo dia, a greve dos caminhoneiros causa transtornos a quem deseja viajar em Campo Grande de ônibus. Por meio de nota, a Socicam, concessionária que administra o Terminal Rodoviário da Capital, informou que até a manhã desta terça-feira (29) houve redução de até 20% no número de viagens do local em comparação com os números habituais para o dia em situações normais.
Funcionários das empresas de coletivo de viagem ouvidos pelo Portal Correio do Estado contam que o desabastecimento já é uma realidade em algumas da garagens. "Há muita dificuldade em conseguir combustível", disse um motorista que prefere não se identificar.
Aunda de acordo com os funcionários, foram cortadas viagens de longa distância, como Brasília (DF), Goiânia (GO) e Rio de Janeiro (RJ). "Estamos privilegiando distâncias curtas, como para Mato Grosso e os interiores paranaense e paulista", disse.
Além da redução de viagens, os passageiros ainda enfrentam outros problemas, como o tempo maior de deslocamento, muito por conta dos pontos de manifestações dos caminhoneiros. Locais como Corumbá e Ponta Porã, nos extremos do Estado, exigem uma paciência maior que o normal pelas dificuldades geradas. "Há informações não confirmadas de que os manifestantes impedem o avanço dos ônibus. Alguns casos isolados de fato aconteceram. Mas a maioria é boato. Via de regra a viagem é feita", disse o gerente de uma empresa de ônibus.
O DIA
Os caminhoneiros que estão nos cinco pontos de paralisação que circundam Campo Grande permanecem aguardando novo pronunciamento do presidente da República, Michel Temer (MDB). Alguns alegam que há uma reunião com representantes do movimento de cada estado e que haverá novidades no início da tarde.
Bastante cansados por estarem longe de casa há nove dias, em condições insalubres, alguns começam a desanimar e são amparados pelos companheiros. No entanto, ninguém é obrigado a ficar e alguns acabam desistindo e pegando a estrada. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem acompanhado os momentos de diálogo e não presenciou nenhum momento de truculência até agora.
Para quem fica, a afirmação é que o movimento tem ganhado força. “Temos contato com várias bases no país. Ninguém arreda o pé enquanto não fizer o que é certo. Estamos tranquilos e esperando um próximo pronunciamento. Desde domingo aumentou a adesão dos motoristas”, disse o caminhoneiro Luiz Carlos Santos Lima Bastos, que está no Posto Caravágio.
Já no km 1 da MS-040 (entroncamento com a BR-163), Vivaldo Antônio de Lima, 46 anos, afirma que a categoria está cansada porque não se sabe se o que será dito é verdade. “Até o momento não deram o desconto de R$ 0,46 no óleo diesel e nem a isenção do pedágio para o eixo suspenso. Eles prometeram e não cumpriram. Não sei se está adiantando ficar aqui”, finalizou.