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LAVA-JATO

Marcelo Odebrecht derruba executivo que seria presidente do conselho do grupo

Marcelo Odebrecht derruba executivo que seria presidente do conselho do grupo

Redação

01/06/2018 - 20h00
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Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo que leva o seu sobrenome, conseguiu derrubar o executivo Newton de Souza, que deveria ocupar a presidência do conselho de administração a partir deste mês.
Souza, que presidiu a Odebrecht e estava no conselho, será afastado de vez do grupo.

A informação foi revelada pela revista Veja e confirmada pela Folha.

Souza era um dos alvos principais de Marcelo. Após deixar a prisão, no final do ano passado, Marcelo reuniu uma série de e-mails que mostravam que Souza conhecia uma série de irregularidades da empresa, mas não se tornara delator.  

É o segundo desafeto de Marcelo a deixar o cargo: no começo desta semana o advogado Adriano Maia, diretor jurídico da Odebrecht Engenharia e Construções, deixou o cargo.

Maia negociou o acordo de delação da empresa mas era citado por Marcelo como um dos conhecedores de negócios ilícitos da empresa, como o pagamento de propina para aprovar uma série de medidas provisórias chamadas "Refis da Crise", um projeto de refinanciamento de dívidas que beneficiava grandes exportadores.

Newton também era implicado no caso das medidas provisórias.

Segundo Marcelo, essas medidas foram negociadas com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com Antonio Palocci. A Odebrcht pagou R$ 50 milhões para que o pacote fosse editado, ainda segundo Marcelo. Ele disse que o dinheiro foi usado na campanha de Dilma Rousseff em 2010. Dilma e Mantega negam que tenha recebido qualquer suborno da Odebrecht.

A Folha revelou em 17 de maio que Marcelo prestou depoimentos a procuradores nos quais dizia que integrantes da cúpula da empresa sabiam do pagamento de propina, chamada por ele de "contrapartida", mas não estavam entre os 78 delatores do grupo.

Ele citava quatro executivos nos depoimentos: Newton Souza, Adriano Maia, Maurício Ferro, vice-presidente jurídico do grupo, e Marcelo Lyra, vice-presidente de comunicação.

Ferro e Lyra devem ser os próximos a deixar o grupo, segundo a Folha apurou junto a executivos do grupo.
As declarações de Marcelo sobre os executivos que supostamente conheciam a prática de suborno e continuavam na cúpula do grupo colocavam em xeque as declarações da empresa de que uma nova Odebrecht havia nascido após os acordos de delação e de leniência, assinados pelo grupo com a Procuradoria-Geral da República e com a Justiça Federal em 2016.

A saída de Newton Souza só será oficializada na próxima reunião do conselho de administração, que deve ocorrer em junho.

Nessa reunião Emílio Odebrecht, que preside o conselho de administração, vai anunciar a sua saída e a entrada de conselheiros independentes. A família Odebrecht não terá mais representantes no conselho.

A Odebrecht esperou a renegociação de dívidas com bancos para anunciar a saída de Souza. No dia 24 de maio, o grupo anunciou que obteve um empréstimo de R$ 1,7 bilhão dos bancos Itaú e Bradesco. A empresa precisava pagar uma dívida de R$ 500 milhões no dia posterior ao anúncio do empréstimo. 

Procurada, a Odebrecht ainda não se pronunciou sobre a saída de Souza.

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