O número de acidentes com vítimas em Campo Grande teve uma redução de 28,5% em maio, o mês de conscientização e prevenção à violência no trânsito. A campanha Maio Amarelo é realizada desde 2015 em todo o Estado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) e agências de trânsito dos municípios.
De acordo com a chefe da Divisão de Educação para o Trânsito da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ivanise Rotta, o número de acidentes com vítimas caiu de 550 em maio de 2015 para 393 no mesmo mês deste ano. Em relação a maio de 2017, a redução foi de 28,55% no número de acidentes, 30,10% no número de feridos, e 14,29% no índice de mortes.
Segundo ela, que também integra o Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito (GGiT), as ações desenvolvidas pelo Governo do Estado e municípios trouxeram as estatísticas para dentro da meta da Década Mundial da Segurança Viária 2011- 2020, mas alerta que “há muito de se fazer ainda”. O GGIT é composto vários órgãos como o Detran-MS, Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Corpo de Bombeiros, SAMU, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual, BpTran, Polícia Civil, e outras entidades.
Dentro da meta de reduzir os acidentes no trânsito, o Detran-MS realizou em maio várias ações, entre elas envolvendo alunos das escolas públicas e privadas, com o objetivo de despertar nas crianças a consciência sobre o envolvimento de todos para evitar os acidentes nas ruas e avenidas. Conforme a diretora de Educação para o Trânsito do Detran-MS, Marlene Alves Nogueira Rondom, educação e conscientização no trânsito é de suma importância o ano inteiro.“O diferencial de uma campanha feita por crianças é que elas são as nossas multiplicadoras e elas ficam cobrando uma postura correta dos pais e geralmente os adultos atendem e respeitam o apelo delas”, ressalta.
No primeiro ano do Maio Amarelo foram registrados 550 acidentes, com 701 feridos e sete mortes. Em 2016, os acidentes caíram para 464, com 601 vítimas e três mortes. Em 2017, o número de acidentes subiu para 465, resultando em 586 feridos e oito mortos. No Maio Amarelo, deste ano, ocorreram 393 acidentes com 496 vítimas, das quais seis vieram a óbito.
De acordo com os dados da Divisão de Educação para o Trânsito da Agetran, as principais causas dos acidentes graves são excesso de velocidade e ingestão de bebida alcoólica. Durante a campanha Maio Amarelo deste ano, foram abordadas de forma direta em ações educativas dos agentes de transito 4.198 pessoas.
Fatores de risco
Segundo a Agetran, levantamentos de 2016 e 2017 apontam até 15 fatores e condutas de risco que contribuíram para a ocorrência dos acidentes fatais registrados em Campo Grande. No topo da pirâmide, estão velocidade, causa de 26,8% das ocorrências, e dirigir sem habilitação, conduta que implicou em 19,5% dos acidentes, além da condução na contramão, falta de percepção do tráfego e álcool. A direção após ingestão de bebida alcoólica respondeu por 12,4% dos acidentes fatais em 2016.
Outros fatores são: infraestrutura viária precária (7,3%), visibilidade (2,2%), uso de celular (1,1%), fadiga (0,9%), condutas impróprias, como avanço de sinal (12,2%), desrespeito à sinalização de parada obrigatória (10%), transitar em local impróprio (3,3%), não manter distância mínima entre veículos (2%), transitar em local proibido (1,1%) e conversão irregular (1,1%).
Na ocorrência dos acidentes fatais, as autoridades de trânsito constatam que a falta de capacete, cinto de segurança e choque lateral contribuem para a gravidade de ferimentos e óbito das vítimas.
Punição
Para Ivanise Rotta a redução de acidentes fatais não depende apenas de ações educativas e fiscalização, é preciso acabar com a impunidade com a aplicação de leis severas para quem comete crime de trânsito. “A sensação de impunidade deixa as pessoas relaxadas no quesito de cumprimento da lei. Precisamos que a sociedade se sinta pertencente e corresponsável pela preservação da vida no trânsito”, afirma.
Sobre as estatísticas e resultados da campanha Maio Amarelo, ela destaca que em 2011, quando foi lançado o programa Vida no Trânsito, houve 132 mortes. Em 2017 o número de vítimas dos acidentes fatais caiu para 70.
Audiência pública
O Detran e o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) realizarão no dia 5 de julho, no auditório da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), audiência pública para debater e definir a aplicação do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), que foi criado em janeiro deste ano e começa a vigorar no segundo semestre.