Após um longo sumiço que preocupou seus eleitores, o candidato turco de oposição Muharrem Ince reapareceu nesta segunda-feira (25) para comentar a sua derrota eleitoral da véspera. Ele admitiu que perdeu o pleito e negou os boatos de que tivesse sido ameaçado pelo governo para não pôr em dúvida os resultados.
Havia expectativas de que ele pudesse ao menos chegar a um segundo turno no pleito presidencial, mas o atual mandatário Recep Tayyip Erdogan recebeu 52% dos votos e venceu já na primeira etapa. Esse líder conservador, há 15 anos no poder do país de 80 milhões, representa a sigla AKP (Partido Justiça e Desenvolvimento).
Erdogan também conseguiu a maioria parlamentar, com 53,6% dos votos na aliança com o direitista MHP (Partido de Ação Nacionalista). Isso significa, para os analistas, que seu novo governo seguirá adiante com a guinada conservadora e nacionalista desta década.
Ince, por sua vez, teve 30,7% dos votos para presidente. Já sua sigla, o social-democrata CHP (Partido Republicano do Povo), teve 22,7%.
Em uma aparição diante da imprensa às 12h locais (6h em Brasília), Ince reclamou da falta de equilíbrio nas eleições turcas, em que Erdogan monopolizou a cobertura dos meios locais -dos dez jornais mais lidos, sete estão sob influência do governo ou de seus aliados. A televisão turca, disse o social-democrata, não acompanhou seus comícios, como aquele que reuniu 1 milhão de pessoas em Istambul.
Mas ele também disse que a contagem de votos feita pelo seu partido coincide com os números oficiais e, portanto, foi realmente vencido.
Agora que Ince admitiu a derrota e sinalizou não ter a intenção de contestar os resultados, o presidente Erdogan tem o caminho livre para consolidar seu mando cada vez mais autocrático. Ele foi premiê do país de 2003 a 2014 e é presidente desde então –agora reeleito.
Este será seu primeiro mandato, no entanto, após a reforma constitucional aprovada em plebiscito no ano passado. Em uma votação acirrada, o país trocou o sistema parlamentar pelo presidencial e ampliou de modo significativo os poderes de Erdogan.