Cidades

REFORMA AGRÁRIA

Cerca de 150 famílias ocupam área abandonada da Cesp em Anaurilândia

Famílias alegam que perderam terras por conta de construção de usina

Aproximadamente 150 famílias de trabalhadores da agricultura familiar, que fazem parte do Movimento Popular de Luta (MPL), ocupam, desde o último domingo (24), uma área improdutiva da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp), localizada em Anaurilândia.

De acordo com a coordenação do movimento, as famílias que estão na área pertencem ao acampamento Herdeiros da Luta, que estava localizado às margens da rodovia em frente ao local ocupado, e já iniciaram construção de barracos e recuperação e plantio na terra.

Ainda conforme a coordenação do MPL, a ocupação “é legítima, segundo o princípio do direito à terra garantido pela Constituição”.

Famílias que fazem parte do acampamento alegam que enfrentam dificuldades para ter acesso aos serviços básicos e que todas tiveram priblemas porque suas propriedades, em Bataguassu, foram alagadas para a formação da represa da usina hidrelétrica de Porto Primavera, construída pela Cesp.

AÇÃO CIVIL

A Cesp foi condenada em 2010, pelo juiz de Anaurilândia, Rodrigo Pedrini Marcos, a indenizar o município em R$ 34,4 milhões pelos danos ambientais ocorridos em 2002, que ocasionaram a perda de 299 hectares, corroídos pela erosão das encostas do rio Paraná, após ação civil pública ajuízada pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Conforme a denúncia, em razão da construção e funcionamento da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta, também conhecida como Porto Primavera, as margens do rio estão sofrendo contínua erosão.

Em 2015 a Justiça bloqueou R$ 300 milhões da Companhia, para garantir a indenização das centenas de famílias que foram afetadas com a construção da hidrelétrica de Porto Primavera, que trouxe impactos ambientais e sociais em Brasilândia, Três Lagoas, Bataguassu, Santa Rita do Pardo e Anaurilândia.

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