A advogada, Maria Cristina Herrador Raitz Cervencove, detida em 2015 na rodoviária de Campo Grande, com uma mala contendo US$ 390 mil dólares foi condenada nesta sexta-feira (29), pela Justiça Federal de Mato Grosso do Sul.
Ela terá de cumprir uma pena de quatro anos e alguns meses, pelo crime de evasão de divisas e lavagem de capitais, além de pagar uma multa de R$ 1,7 mil reais. Quando prestou depoimento, Maria Cristina alegou que parte do montante se refere ao pagamento de honorários advocatícios.
No entanto, o Ministério Público Federal (MPF), responsável pelo pedido de condenação da advogada em novembro de 2017, destaca no portal da instituição, que a pena precisa ser revista, pelo fato da ré ser advogada criminalista.
"A valoração negativa dos aspectos da culpabilidade e consequências do crime não resultou em fixação de pena-base em patamar razoável”, ao explicar que a área de atuação torna a culpabilidade ainda mais elevada.
“A ré, advogada especializada em matéria criminal, sabia muito bem que sua conduta criminosa constitui violação aos deveres profissionais e, mesmo assim, levou adiante seu intento criminoso em busca de vantagem econômica. Não se preocupou em manter o prestígio de toda uma classe dos advogados”.
Além disso, a prática dos dois delitos (ocultar localização de dinheiro obtido com o tráfico internacional de drogas e evadir divisas do território nacional) torna evidente a necessidade de somatório das penas.
HISTÓRICO DO CASO
A advogada foi presa pela Polícia Federal na rodoviária de Campo Grande, na manhã de 2 de abril de 2015, após desembarcar de um ônibus que vinha de São Paulo (SP).
Ela carregava uma mala com a quantia de US$ 390 mil com destino à cidade de Corumbá (MS), onde faria a transposição da fronteira e entraria na Bolívia, deixando o montante a salvo das autoridades brasileiras e fora do circuito de rastreamento direto de informações do sistema bancário nacional.
Consta nos autos que a advogada havia sido contratada para defender Joseph Perez, que respondia ação penal por tráfico de drogas, e que uma terceira pessoa identificada apenas como “Kalil” foi ao escritório da denunciada e lhe entregou a mala com o dinheiro, pedindo que levasse até Corumbá, onde Joseph a esperaria para pegar a quantia.
Com a denunciada foram encontradas, além da mala com o dinheiro e de bilhetes de transporte, nove folhas de papel A4 com diversas anotações feitas a mão sobre o processo criminal ao qual as pessoas que a contataram respondiam.
A denunciada, em suas declarações, admitiu ser a autora dos manuscritos. Os nomes presentes nas folhas de papel A4 pertencem a membros de uma organização criminal envolvida em tráfico internacional de cocaína.
*Com informações do MP/MS