A ocorrência de incêndios florestais em Mato Grosso do Sul vai ser maior que em anos anteriores. A previsão é do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), ligado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O programa calcula que a região pantaneira será a mais atingida, principalmente porque, neste ano, a cheia dos rios registrada nessa região foi maior que no ano passado.
“Nós tivemos um começo do ano com o Pantanal bastante cheio e isso faz com que as plantas cresçam. Com o inverno quente e seco, elas devem secar rapidamente, o que cria um ambiente propício aos incêndios florestais”, explica Alexandre de Matos Martins Pereira, coordenador estadual do Prevfogo.
Iniciada de forma intensa em janeiro, com a rápida subida das águas do Rio Paraguai na região de Cáceres (MT) e de afluentes, como o Cuiabá e São Lourenço, as inundações no Pantanal em Mato Grosso do Sul ganharam força com as chuvas, que foram acima da média histórica este ano e provocaram cheia antecipada.
Conforme Pereira, com o fenômeno da cheia, aliado ao inverno anormal, o período mais crítico de queimadas será entre agosto e setembro, quando as chuvas estarão ainda mais escassas, com o mato alto e o solo propício a incêndios. “Este ano, o fogo vai começar um pouco mais tarde. Por isso, nós vamos iniciar no dia 1º de julho um trabalho de conscientização com os proprietários rurais que têm necessidade de usar o fogo para preparação do solo, para que façam o uso agora, no mês de julho, que já estará com uma condição boa para usar o fogo, mas ainda oferece condições de controle. Utilizando o fogo nessa época do ano, é possível evitar que esse combustível se acumule para meados de agosto, que é o período mais crítico”, alerta.
A Defesa Civil do Estado monitora diariamente o comportamento dos focos e alerta sobre o maior risco, diante da queda na umidade do ar. “A tendência é a umidade relativa do ar ir caindo. O pico do nosso período de estiagem é setembro, e a tendência é ficar num risco alto”, afirma o coordenador do órgão, tenente-coronel Fábio Catarinelli.
“Temos orientado os municípios para que, quando se configurar o período de estiagem, eles façam o registro, para que, se houver necessidade de decretar situação de emergência, já tenhamos esse controle”, disse.
REFORÇO
Todos os anos, o Ibama capacita brigadistas para atuarem na prevenção e combate a incêndios florestais. A disposição desses profissionais leva em consideração a seleção das áreas críticas, embasada em critérios técnicos como as detecções de focos de calor registrados pelo Inpe, a presença de unidades de conservação federais, terras indígenas e projetos de assentamentos de reforma agrária, assim como a presença de remanescentes de vegetação natural.
“Este ano, nós estamos com 30 brigadistas no Pantanal; no ano passado, eram 21. Nós também conseguimos aumentar o contingente nas terras indígenas: ano passado tínhamos 33 e este ano vamos aumentar para 60 contratados, quase dobrou o número”, sustenta o coordenador do PrevFogo.