Enquanto a bola rolava em campo no jogo do Brasil contra o México, nas unidades de saúde de Campo Grande quem procura atendimento médico precisa ter uma dose a mais de paciência.
O apito inicial da partida deixou a enfermeira Laura Pontes, 36 anos, preocupada e não é com o resultado da disputa que vale classificação para as quartas de final. A filha Yasmin, de12 anos, está com garganta e ouvido infeccionados. Elas chegaram na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Universitário poucos minutos antes de começar o jogo.
“Chegamos aqui 8h30 e logo ela foi chamada para avalição, dez minutos depois pararam de chamar os pacientes para triagem “ disse a mãe.
Laura relata que na unidade de saúde não tem pediatra e, em alguns casos, pacientes são orientados a procurarem a UPA do Coronel Antonino, único local com o especialista no período matutino “Já tentei marcar consulta para minha filha na UPA da Moreninha e no posto de saúde do Universitário, mas nunca consegui, pois não há pediatras"
Outros pais que estavam no posto do Universitário esta manhã confirmaram a situação, Camila da Silva, de 20 anos, e Everlin da Silva, de 29 anos, levaram a filha de um ano e seis meses para consultar com o pediatra mas também não conseguiram atendimento. “Nunca tem médico, e em dia de jogo é ainda pior, a situação é sempre ruim” disse o pai.
Kamila esperou mais de duas horas por atendimento(Valdenir Rezende/Correio do Estado)
Kamila Pereira, de 21 anos, moradora da região, também foi em busca de atendimento mas teve que esperar mais de duas horas e meia para sair de lá com diagnóstico de conjuntivite “Dei entrada 8h30 e só fui chamada às 10h, ainda bem que o médico me atendeu antes o início do jogo".
No decreto do horário de funcionamento da prefeitura o atendimento deveria ser mantido normalmente. De acordo com os pacientes, só tinha dois médicos disponíveis, mas a unidade não informou quantos deveriam estar trabalhando.