Nos anos 90 as revistas em quadrinhos eram febre entre os adolescentes. Cerca de 30 anos depois, a febre virou paixão e além das revistas, action figures (bonecos), filmes, desenhos, itens de decoração, jogos, entre outros, também começaram a ser consumidos, abrindo espaço para um mercado cada vez maior, inclusive em Campo Grande.
Há 8 meses o empresário André Porto, de 43 anos, viu na abertura da Kaboom Loja Geek Rock Wear uma oportunidade de ganhar dinheiro com aquilo que gosta: “É algo que eu consumo [cultura nerd] desde pequeno, hoje tenho 43 anos. Eu já trabalhei com outras coisas, mas era só pelo dinheiro, não porque eu gostava. E com a loja eu trabalho com aquilo que eu gosto”, diz. Ele também frisa que não há idade para consumir os produtos da cultura nerd: “Desde os mais pequenos até os mais velhos procuram a loja. Essa coisa de nerd que era chamado de inútil, hoje está ganhando espaço”.
O trabalhador autônomo Alexandre “Wotan” Justino, é uma das pessoas que viveu o auge da “cultura nerd” e atualmente aos 38 anos é um consumidor fiel de histórias em quadrinhos. Em sua estante há centenas de exemplares de revistas do Homem-Aranha. “Eu compro muitas HQ’s, em especial as mais antigas, da década de 80, 90. Mas também compro miniaturas, action figures que eu gosto bastante, em especial as do Homem-Aranha e do Star Wars”, diz.

Para ele o mercado na Capital é escasso e ainda é difícil encontrar determinados produtos. “Em Campo Grande a gente tem que estar sempre garimpando, não tem muita loja especializada. Agora que estão surgindo umas aí”, pontua. Mas a internet se mostra com o melhor meio para adquirir produtos relacionados à cultura nerd. “Compro bastante na internet, porque muita coisa você só vai achar nela. Em sites de compra que todo mundo costuma comprar ou em fóruns no Facebook que as pessoas anunciam”.
De acordo com o economista Cleiton Lopes, as lojas especializadas em cultura nerd conseguem movimentar a economia de determinado local, mas não há como saber o que elas representam para a receita de Campo Grande de uma forma geral. “Faltam pesquisas que investiguem o real impacto desse nicho econômico aqui na cidade. E sem muitos dados, não há como ter uma noção das consequências. Essas pequenas lojas direcionadas para um tipo de público estão aí para atender uma demanda da sociedade, elas movimentam uma parte da economia, mas não geram um grande impacto pois são direcionadas”.
Apesar da falta de dados e de comércios que satisfaçam o público nerd em Campo Grande, os apaixonados continuarão de alguma forma alimentando a economia, seja vendendo ou consumindo os produtos que tanto amam.