Têm início às 13h30 desta quarta-feira, na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, duas audiências sobre homicídios cometidos por Luiz Alves Martins Filho, o Nando, chefe de grupo de extermínio que agia no Bairro Danúbio. Ele e comparsas são responsáveis pela morte e desaparecimento de pelo menos 14 pessoas naquela região.
Os crime eram decorrentes de "julgamentos", sob o argumento de que as vítimas eram viciadas e praticavam furtos no bairro. A primeira audiência apura a morte de Flavio Soares Correia e serão ouvidas seis testemunhas de acusação. Na segunda audiência, marcada para as 14h30, devem ser ouvidas outras quatro testemunhas de acusação para elucidar a morte de Daniel Gomes de Souza Carvalho.
CONDENADO
Na semana passada, Nando foi condenado a 18 anos e três meses de reclusão em regime fechado durante julgamento realizado ontem, por homicídio qualificado e ocultação de cadáver de um homem identificado apenas como Café ou Neguinho. O comparsa de Nando, Jean Marlon Dias Domingues, teve condenação de 15 anos e seis meses de reclusão pelos mesmos crimes.
Segundo o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em abril de 2016, em dia e horário indeterminados, próximo ao local denominado lixão (aterro), situado na Rua Dos Astronautas, Jardim Veraneio, na Capital, eles mataram Café usando corda, chave de fenda e uma faca. Enterrando o corpo em uma espécie de cemitério clandestino, onde outras vítimas haviam sido sepultadas.
Consta na denúncia Nando, Jean e Michel Henrique Vilela Vieira, usando a corda, estrangularam a vítima. Depois disso, Michel desferiu golpes de chave de fenda nela, ao passo que Jean desferiu golpes de faca. Narra a acusação que os denunciados agiram por motivo torpe, porque Café devia quantia em dinheiro para Nando, enquanto Jean vingou-se porque dias antes ele havia lhe jogado cerveja e desferido tapas na sua cara, sendo que Michel agiu coordenado e auxiliando Nando.
De acordo com o Ministério Público, os acusados "usaram de dissimulação e valeram-se da superioridade numérica, o que dificultou a defesa. Por fim, após o fato enterraram a vítima com a finalidade de ocultar o corpo". Por falta de defesa, o julgamento do acusado Michel foi desmembrado, e será realizado no mês de agosto. Nando e mais envolvidos respondem a outros processos de homicídio e crimes.