Cidades

EM NOVA ANDRADINA

Ação do Gaeco teve mulheres do PCC presas e apreensão de armas

'Tia Ciça', conhecida da polícia local, fazia a contabilidade do tráfico

Redação

23/07/2018 - 16h13

Duas mulheres com funções de fazerem a contabilidade do tráfico de drogas estão entre as oito pessoas presas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul na manhã desta segunda-feira (23), em Nova Andradina, na Operação Mudra, desencandeada com objetivo de minar célula do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que controla o tráfico de drogas e armas nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

De acordo com informações preliminares apuradas pelo Correio do Estado junto às polícias Civil e Militar, que participaram das cinco prisões realizadas nas ruas (três delas são de acusados já detidos), o alvo prioritário da operação foi o de assaltantes que agiam nas ruas seguindo ordens de líderes da facção presos.

Os mandados foram expedidos em decorrência de  provas colhidas por Gaeco e Polícia Civil, que demonstram a atuação do PCC mediante ordens enviadas pelos chefes do grupo, a partir de presídios de segurança máxima do Estado. As tarefas eram executadas por comparsas que se encontram em liberdade. O objetivo era fortalecer o domínio nos presídios e em pontos estratégicos da comercialização de entorpecentes.

Junto aos endereços das duas mulheres presas, uma delas uma jovem de 18 anos, foram presos os dois homens detidos em flagrante. Segundo o Gaeco, na casa de uma das mulheres, conhecida como 'Tia Ciça' e influnte no mundo do tráfico local, um familiar acabou detido por tráfico de drogas: carregava uma porção de maconha e duas bitucas de 'baseado'. Ainda no imóvel foi encontrada uma espingarda de pressão adaptada para seu usada com munição calibre ponto 22.

Já na residência da jovem um homem de 28 anos foi preso junto pelo fato dos promotores encontrarem no interior do quarto onde dormia munição usada de calibre ponto 32, propícia para uso em revólveres.

Conforme já revelado, um dos detidos na operação foi um comerciante de 46 anos. Conhecido como 'Gago', Ademir Naide é dono de uma conveniência no Centro da cidade, em frente da delegacia. O Gaeco ainda não revelou as acusações que pesam contra ele.

De acordo com o advogado Martinho Ruas, 'Gago' foi alvo de prisão preventiva e teve seus imóveis vasculhados pelos agentes. "Pedi acesso aos autos para ter conhecimento sobre a justificativa da prisão. Eu acompanhei o cumprimento dos mandados, mas ainda não estou ciente da decisão", disse o advogado.

Objetos apreendidos nas casas buscadas em Nova Andradina (Foto: Divulgação/PMMS)

A OPERAÇÃO

Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva pela 2ª Vara Criminal de Dourados e pela Vara de Nova Andradina, cumpridos nestas respectivas cidades, bem como em Campo Grande, Terenos, Caarapó e Porecatu (PR). Participaram da força-tarefa agentes do Gaeco, da Polícia Civil, Polícia Militar e da Agência de Inteligência da PM. 

Ao longo das investigações foi comprovada a existência de julgamentos pelo “tribunal do crime”, que desencadearam série de homicídios em Mato Grosso do Sul e no Paraná. Ou seja, de dentro dos presídios, os criminosos julgavam rivais e "infratores" por meio de videoconferência, condenando os réus à pena de morte. O nome da operação, Mudra, representa gestos simbólicos feitos com as mãos, utilizados no Yoga, budismo e na dança indiana e muito usados pela facção.

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