Cidades

Tribunal do crime

Justiça decreta a prisão de mais 6 envolvidos em execução do PCC

Grupo matou traficante que se aliou aos rivais do Comando Vermelho

Redação

24/07/2018 - 09h20

A Justiça decretou a prisão preventiva de mais seis pessoas envolvidas em "tribunal do crime" da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que culminou na execução de Rudnei da Silva Rocha, mas conhecido como Babidi, que foi degolado. O homicídio ocorreu em outubro do ano passado, no Jardim Santa Emília, em Campo Grande. Babidi era traficante do PCC, mas foi mantido em cárcere, julgado e condenado à morte por se aliar aos rivais do Comando Vermelho (CV).

A ação tramita na 1° Vara do Tribunal do Júri. A acusação protocolou o pedido de aditamento da denúncia para o ingresso dos novos acusados, os quais seriam os mandantes do crime. Além disso, a ré Ayumi Chaves da Silva, que estava foragida, foi capturada, e ainda Cristiane Gomes Nogueira Rodrigues, a "Polêmica", que fazia uso de tornozeleira eletrônica, foi presa preventivamente.

Cristiane foi identificada nas investigações como integrante do PCC responsável pela chamada "disciplina" e respondia ao processo em prisão domiciliar, fazendo uso de tornozeleira eletrônica. Ela teria chamado os demais envolvidos a fazer a "contenção" da vítima, que consiste numa espécie de julgamento e interrogatório de acordo com as normas próprias da facção.

O juiz da 1ª Vara do Júri, Carlos Alberto Garcete de Almeida, decretou a prisão preventiva dela, tendo em vista o aditamento de denúncia oferecido pelo Ministério Público, no qual incluiu o nome de quem seriam os superiores dela na facção, o que poderia incentivar sua fuga, a exemplo da ocorrida com Ayumi que rompeu o lacre da tornozeleira no dia 16 de fevereiro de 2018.

Para rever a decisão que concedeu a prisão domiciliar, o magistrado também levou em consideração o fato de, durante a instrução criminal, algumas testemunhas a terem apontado como sendo a responsável por referida função hierárquica, sendo que ela própria admitiu estar vinculada à facção PCC. Além disso, citou o juiz, o próprio delegado do caso e seus agentes que acompanharam toda a investigação “não hesitam em afirmar que ela exercia a liderança na noticiada empreitada criminosa”.

MAIS PRESOS

Já Ayumi capturada pela polícia e está presa desde o dia 13 de julho no presídio feminino Irmã Irma Zorzi. Ela é acusada de participação no assassinato e decapitação de Rudnei e havia sido beneficiada com a prisão domiciliar, em virtude de estar amamentando. 

O processo havia encerrado a fase de instrução penal com o interrogatório dos réus ocorrido no dia 8 de junho. No entanto, depois da juntada de novas provas, o Ministério Público Estadual apresentou o aditamento de denúncia para incluir os denunciados Hamilton Roberto Dias Junior, Rogério Silva, Renato Carvalho de Azevedo e Nilton Gauta Evangelista.

O MP pediu a prisão preventiva dos denunciados, cujo pedido foi aceito pelo juiz. "Eles estariam em situação de superioridade hierárquica em relação aos já denunciados, sendo os responsáveis pelo interrogatório, por conferência via telefone celular, da vítima  Rudnei, bem como pela ordem final para que esta fosse executada e decapitada”, entendeu o magistrado.

EXECUÇÃO

Consta nos autos que nos dias 6 e 7 de outubro de 2017, na Rua Internacional, no Jardim Santa Emília, na Capital, os denunciados Ayumi, Lucas Carmona de Souza, Valdeir Lourenço,  Rodrigo Roberto Rodrigues, Roberto Railson Maia da Silva, Cristiane Gomes Nogueira Rodrigues e Mike Davison Medeiros da Silva Lima teriam submetido a vítima a cárcere privado, "julgamento" e "condenação", que consistiu na sua execução. Ele foi degolado.

Segunda a denúncia, Rudnei era traficante de drogas e integrante do PCC, no entanto ele teria se filiado ao Comando Vermelho, facção rival. O grupo é acusado de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.  
 

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