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Homem escapa de golpe pelo WhatsApp e bandido questiona: "onde eu errei?"

Homem escapa de golpe pelo WhatsApp e bandido questiona: "onde eu errei?"

Redação

25/07/2018 - 17h42
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A ousadia dos bandidos surpreendeu uma vítima de Teresina, que preferiu não se identificar, mas contou ao G1 detalhes de uma tentativa de golpe que ocorreu na terça-feira (24). Os homens, não identificados, tentaram se passar por um primo da vítima, pediram uma transferência de R$ 2,2 mil e, ao perceberem que a tentativa não deu certo, questionaram: “onde eu errei?”. A vítima decidiu não registrar boletim de ocorrência, por não ter tempo no momento.

A ação começou com uma ligação de um número de Goiás, com DDD 62. “Um homem ligou dizendo que era um primo meu de Brasília, perguntando se eu estava reconhecendo a voz. Eu falei que tinha alguns primos, ele pediu para eu dizer o nome e eu falei de um deles. A partir de então, a pessoa me disse que tinha quebrado o carro na estrada, no Piauí, e pediu para eu fazer uma ligação”, contou a vítima.

Inicialmente, a história pareceu convincente porque o “primo” não pediu dinheiro. O pedido era apenas para que a vítima ligasse para um outro número, do Piauí, que seria de uma oficina mecânica. A intenção seria apenas garantir que mecânicos fossem até o local.

“Ele não pediu nada, só que eu fizesse essa ligação, me deu a placa do carro, detalhes de onde estava, disse que era a 20 km de Amarante. A atuação deles é muito boa. Quando liguei pro outro número, a pessoa já atendeu falando o nome de uma oficina, confirmou a placa do carro”, relatou.

O tempo todo, segundo a vítima, o "primo" pedia desculpas por estar incomodando. Cada ligação durou cerca de 5 minutos. Dez minutos após a segunda conversa, o golpista com número de Goiás ligou novamente, dessa vez dizendo que precisava do dinheiro. “Ele contou que os mecânicos não tinham cartão e que não havia onde sacar dinheiro. Eu já tinha desconfiado de algumas coisas, mas nesse momento eu tive certeza que era um golpe”, disse.

A primeira desconfiança aconteceu porque o primo da vítima não morava mais em Brasília e, lá o DDD é 61, e não 62, como o do número que entrou em contato. Depois uma informação sobre o seguro do veículo pareceu desencontrada e, por fim, o alto valor confirmou a suspeita.

“Nesse momento eu já estava com o Facebook do meu primo aberto, tinha ligado para minha mãe e pesquisei no Google a foto usada pelo suposto mecânico no WhatsApp, que não era do local informado”, relatou.

Depois disso, a vítima recebeu uma última mensagem dos bandidos e contou que havia percebido que era um golpe. Além de ser questionado sobre como tinha percebido, os bandidos disseram ainda que essa era “uma forma de trabalho”.

Polícia

A vítima informou que preferiu não registrar boletim de ocorrência, porque disse que não tinha tempo no momento para ir à delegacia. Ao G1, o delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Alta Tecnologia (Dercat), Daniel Pires, disse que o caso não pode ser investigado porque o crime - caracterizado como estelionato - não foi consumado. 

Ele explicou ainda que casos de estelionato comum, mesmo que realizados por meio de ligação ou aplicativos de mensagens, podem ser registrados em qualquer delegacia. "Nós investigamos casos em que a transferência do dinheiro aconteceu pela internet. Casos desse tipo, recebemos cerca de dois por mês na delegacia, mas o número de crimes de estelionato em si é muito maior, sem dúvida", explicou. 

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