Família do músico Luís Alberto Bastos Barbosa, 29 anos, não autorizou que os advogados de defesa peçam liberdade provisória do rapaz, acusado de matar a musicista Mayara Amaral, 27 anos, em julho do ano passado. Segundo a família, a atitude seria em respeito a família da vítima. Afirmação foi feita durante audiência realizada hoje na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.
Apesar de não tentar a liberdade provisória, a defesa mudou a estratégia para tentar penas mais brandas ao acusado. Advogado de Luís, Conrado de Souza Passos, afirma que o músico teria cometido o crime sob efeito de drogas e que ele já teria procurado ajuda médica dias antes do assassinato. Uma perícia será realizada e, segundo o advogado, se o resultado for favorável a tese, Luís pode ter pena reduzida ou até mesmo ser inocentado.
Na audiência de hoje, entre as testemunhas ouvidas pelo juiz estavam a mãe e a namorada do acusado e a atendente do motel onde houve o crime.
A mãe de Luís, Sara Maria Tinoco Bastos, disse que não sabia que o rapaz se relacionava com Mayara, devido a ter uma namorada há sete anos, e nem que o filho usava “drogas pesadas”, além de afirmar que ele estava com problemas de saúde.
“Ele estava muito mal há um mês antes do crime. Ficou afastado do serviço, estava muito magro, não dormia e estava bebendo todo dia. Ele fumava maconha, mas fui saber que estava com droga pesada quando a polícia chegou lá e me falou que tinha papelotes de pasta base”, disse a nçae do rapaz em depoimento.
A namorada do acusado, que preferiu não ser identificada, afirmou que ele sempre foi calmo e que eles planejavam se casar. “Ele sempre foi extremamente carinhoso, íamos nos casar, estavamos procurando casa e sempre foi muito cavalheiro, me colocava acima de tudo, nunca sequer falou alto comigo”.
Conforme a mulher, Luíz sempre andava com o martelo, utilizado no crime, dentro da mochila, porque ele usava a ferramente para quebrar gelo e fazer drinks. No dia do assassinato, ela reparou que o rapaz estava com olhos vermelhos, mas achou que era porque ele tinha passado o dia sem usar os óculos de grau.
“Fiquei sabendo da prisão pelo pai dele. Não conhecia os rapazes [que também estavam envolvidos no crime], e essa possibilidade da Mayara dividir palco com ele, não é do meu conhecimento”, disse.
Atendente do motel onde houve o crime, pediu para que o acusado saísse da sala durante depoimento. Ela afirmou que entrou para trabalhar às 8h daquele dia e que liberou Luís para deixar o local, já após o crime, porém, sem saber que havia ocorrido o assassinato. Uma taxa de R$ 10 foi cobrada para a limpeza do quarto e ele teria pago todos os valores solicitados, menos essa taxa. Por esse motivo, a atendente pediu para ele deixar algum documento, Luís deixou o Registro Geral (RG) da vítima.
“Perguntei pra ele 'cadê sua acompanhante?' e ele disse que tinha saído às 5h porque estava com hemorragia e que o pai dela tinha buscado ela. O estado dele físico estava normal como qualquer cliente, mas ele com certeza fumou cigarro lá dentro antes de ir embora”, disse a mulher em depoimento.
A Justiça aceitou que o acusado passe por exame de insanidade mental, que foi marcada para o dia 7 de agosto. A próxima audiência sobre o caso será realizada no dia 16 de agosto.
O CASO
Mayara foi morta a golpes de martelo em um motel na região norte da Capital. Depois seu corpo foi levado para uma estrada vicinal, na região do Inferninho, na saída para Rochedo, onde foi carbonizado.
A morte de Mayara Amaral foi marcada por polêmicas devido a tipificação do crime por parte das autoridades. A Polícia Civil entendeu o crime como latrocínio, roubo seguido de morte, pois Luis havia tentando negociar a venda do carro da vítima por R$ 1 mil. Esta também foi a interpretação final do Ministério Público Estadual (MPE). Em maio, os desembargadores da 1º Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) decidiu por unanimidade que o crime seria julgado como homicídio.
A família reivindicou que os responsáveis pela investigação considerassem a hipótese de feminicídio. O caso teve grande repercussão nas redes sociais e motivou a realização de mobilizações em todo o País contra a violência contra a mulher.