Depois de três igrejas católicas serem alvos de invasores no fim de julho, agora no novo mês que se inicia foi a vez de um templo evangélico ser alvo de bandidos. Na madrugada desta terça-feira (7), suspeitos voltaram a ter um edifício consagrado para cultos da Assembleia de Deus do Jardim Aeroporto, região oeste de Campo Grande, como alvo. Desta vez foi só um susto, uma tentativa frustrada. Mas no último domingo (5), o furto foi consumado e foi levado botijão de gás, talheres e pratos.
Pastor do local, Antenor de Arruda Castello registrou o caso no 7º DP da Capital, que ficará responsável pelas investigações. Para ele, a mistura entre a vizinhança pouco atrativa, formada por um terreno baldio e uma casa abandonada, e o grande número de usuários de drogas na região favorece as ações criminosas. Muito além do que os dois casos entre esses três dias, o templo é constantemente alvo dos bandidos.
"A gente sofre um baque muito grande. Por mais que aconteça constantemente, não se espera", disse Castello, ao Correio do Estado. "A gente pede a Deus que ilumine essa alma. Não é nem pelas perdas materiais, mas pelo ato de uma pessoa desesperada, as igrejas não têm ninguém olhando, nada de muito valor."
No caso da Assembleia de Deus, o choque pelo crime se intensificou pelo dia escolhido: domingo aconteceria justamente um evento em que os fies fariam pratos doces e salgados para arrecadação de fundos ao templos. Sem o gás e os utensílios de cozinha, tornou-se impossível o preparo.
Chamou a atenção do pastor o método utilizado para o furto. Após pularem o muro da igreja, os autores arrancaram uma das pedras de mármore da parede da cozinha. Espaço pequeno para o manejo de uma mão adulta de grande porte, garante Castello. Mas o suficiente para consumar o feito. Nesta terça, a opção foi por arrombar uma das grades de proteção das janelas laterais do templo. Não tiveram sucesso e resolveram fugir.
Sobre novos métodos de segurança para prevenção, o próprio pastor é direto: não há o que se fazer. Somente neste ano já fora levado os aparelhos de som. E experiências anteriores com a opção de se ter uma espécie de caseiro que more no local e faça a vigia noturna se tornaram problemáticas posteriormente. Os custos para a contratação de um segurança então, diz Castello, é elevado demais, muito maiores que os pratos e garfos levados.
Resta a opção da fé. E o pastor tem motivos para acreditar. No ano passado, por exemplo, um viciado que invadiu a igreja para roubar comestíveis preparados pela Assembleia para distribuição nas ruas ficou arrependido do crime e decidiu devolver depois. "A gente espera e ora pela regenaração das pessoas", disse.