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Polícia de SP acha corpo de PM desaparecida em Paraisópolis

Polícia de SP acha corpo de PM desaparecida em Paraisópolis

Redação

07/08/2018 - 20h00
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Policiais militares encontraram na noite desta segunda-feira (6) o corpo da policial militar Juliane dos Santos Duarte, 27, que estava desaparecida desde a madrugada de quinta-feira (2).

Segundo a Secretaria de Segurança Pública paulista, o corpo foi reconhecido como sendo o da soldado que sumiu após ser vista pela última vez na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.

O corpo da policial, que está sendo velado nesta terça-feira em no cemitério municipal da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, na Grande SP, estava no interior de um veículo Honda Civic, abandonado em uma rua de Jurubatuba, também na zona sul, a 8,5 km do local onde Juliane desapareceu. Ela estava com a calça camuflada usada no mesmo dia em que sumiu.

Quando desapareceu, Juliane foi levada por um bando com homens encapuzados e armados, após ter o celular roubado e se identificar como policial em um bar em Paraisópolis. Era a primeira madrugada dela das férias deste ano da corporação. Após o desaparecimento da soldado, policiais civis e militares vasculharam a região da comunidade, com carros e helicópteros.

De acordo com o corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes, a moto que a policial usava naquele dia foi encontrada em Alto de Pinheiros, na zona oeste.

Juliane era policial militar havia dois anos. Lotada em uma companhia que faz patrulhamento no Jabaquara, na zona sul, ela morava apenas com a mãe, Cleusa dos Santos, 57, que sofre de câncer na medula óssea. "Eu liguei, eu ligo para o celular, mas ela não atende. Chama, mas não atende", afirmou a mãe na sexta-feira (3). Cleusa era cobradora de ônibus antes de ser demitida, meses atrás.

A policial era a filha mais nova de três irmãos. A última vez que a família esteve junta, segundo a mãe, foi no nascimento de um sobrinho da policial, na segunda-feira (30).

O secretário estadual de Segurança Pública Mágino Alves esteve presente no velório da PM. Ele disse que a investigação está avançando e há um suspeito preso. "A investigação tem uma boa linha já em andamento. O DHPP assume a investigação do homicídio, com a equipe do 89 DP, e a corregedoria da PM, que vai prestar auxílio".

Segundo ele, o suspeito está preso temporariamente, mas há outras linhas de investigação. O secretário disse ainda que uma nova resolução será publicada com recompensa de até R$ 50 mil por informações sobre a autoria do crime -na segunda (6), o governo de São Paulo já havia prometido a quantia por pistas que ajudassem a localizar a policial militar.

"Nós estamos muito empenhados e não vamos sair daquela comunidade até o momento que tivermos pacificado a situação por lá", afirmou.

O secretário disse que a PM, mesmo de férias, atuou como policial e foi assassinada por esse motivo.
"Nós ainda não temos o exato retrato do que aconteceu naquele momento, mas tudo indica que ela interveio em uma situação visando sanar uma quebra de ordem. Ela era uma policial treinada, com uma ficha impecável, não tem por que achar que ela teria um comportamento inadequado para um policial".

Na tarde de domingo (5), um suspeito tentou fugir após sair de um barraco e se deparar com policiais. Foi pego pelo COE (Comando de Operações Especiais), da Polícia Militar. Segundo o delegado titular Antônio Sucupira Neto, o suspeito encaminhado à delegacia é investigado pela suposta participação no desaparecimento da policial.

PM ficou ao menos um dia em poder de bandidos antes de ser assassinada

Após perícia no corpo da soldado Juliane dos Santos Duarte, 27, a cúpula da Polícia Militar de São Paulo avalia que ela deve ter permanecido por mais de 24 horas em poder de criminosos antes de ser assassinada com tiros na cabeça.

A policial, que desapareceu na favela de Paraisópolis na madrugada de quinta-feira (2), foi encontrada morta na noite desta segunda (6) dentro de um carro em Jurubatuba, na zona sul, a 8,5 km de distância. 

A avaliação da PM tem como base os exames periciais realizados no corpo da vítima. Eles apontaram que a soldado morreu entre 24 horas e 48 horas antes da localização do corpo. Isso daria, de acordo com a polícia, entre sábado (4) e domingo (5).

Segundo testemunhas, a soldado foi levada por bandidos ainda com vida na madrugada de quinta de um bar da favela de Paraisópolis. Ela teria ficado na mão de criminosos até que seu destino fosse decidido.

A partir do resultado da perícia, a outra hipótese era de Juliane ter recebido os disparos e ficado agonizando no porta-malas do veículo por mais de um dia até morrer. Mas essa possibilidade é considerada muita remota porque, segundo policiais, além de tiros na virilha e na nádega, ela tinha também duas perfurações na cabeça, que seriam fatais.

Até agora, a polícia paulista prendeu um suspeito de participação direta no crime. As investigações sugerem a participação de ao menos mais três criminosos.

De acordo com policiais civis e militares, o único suspeito preso até agora sob suspeita de ter participado do assassinato é Everaldo Severino da Silva, 45, conhecido como "Sem Fronteira". Ele nega.

Everaldo seria integrante da facção criminosa PCC. Na região de Paraisópolis, teria a função de ordenar mortes, segundo informações da Polícia Civil.

Ainda segundo a polícia, dificilmente alguém mataria um policial na comunidade de Paraisópolis, conhecido reduto do PCC, sem uma ordem dos chefes da quadrilha da região. Isso porque a morte de um policial militar, sabidamente, provoca reações por parte dos colegas e, em caso de repercussão, da cúpula da corporação.

Isso explicaria, em tese, a razão por que a PM não foi morta em um primeiro momento. Os criminosos provavelmente consultaram instâncias superiores até decretarem a morte da policial.

Desde o final de semana, várias equipes da PM estão empenhadas em dar uma resposta ao caso, entre as quais o Comando de Operações Especiais, do Canil, do Grupamento Aéreo e das unidades de policiamento da região, bem como da Equipe de PM Vítima, da Corregedoria, em conjunto com a Polícia Civil.

Essas equipes, segundo o comando da PM, não têm prazo para deixarem o local.

A polícia avalia que, embora seja uma tragédia indiscutível, a PM morta não seguiu procedimentos de segurança orientados pela tropa. Um deles é se colocar "em ambiente vulnerável": uma favela com grande presença do crime organizado.

Além disso, após ingerir bebida alcoólica, a soldado teria sacado a arma para resolver um furto de celular embora estivesse sozinha em local sem apoio rápido.

Segundo testemunhas, após Juliane se identificar como policial nesse bar, frequentadores do espaço informaram aos bandidos da área de sua presença. Quatro deles teriam aparecido e levado a PM para local desconhecido, após ter dado um tiro na perna dela.

POLÍCIA NÃO ENTRA EM PARAISÓPOLIS

Em novembro do ano passado, a diretora do DHPP (Departamento de Homicídios), a delegada da Polícia Civil Elisabete Sato disse, durante evento em São Paulo, que a polícia enfrentava problemas ao entrar em favelas, incluindo Paraisópolis.

"Eu converso muito com nossos investigadores. E nossos investigadores me falaram na semana passada: 'Diretora, está difícil entrar em Paraisópolis [...] Nem a PM nem a Rota estão entrando lá'", disse.

Na época, o governo negou tal dificuldade e, em resposta à delegada, a PM fez operações naquele mesmo dia. O secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, também reagiu às afirmações da delegada.

"A afirmação de que as polícias de São Paulo têm dificuldade em cumprir seu trabalho, seja em comunidades ou em qualquer outro lugar, é o mais completo absurdo." Ele citou operações e prisões recentes na favela de Paraisópolis.

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