Alvo da Operação Grãos de Ouro, deflagrada ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), o servidor da Assembleia Legislativa Marcos Antonio Silva de Souza disse que ainda vai ser ouvido e acredita que pode ter falado com algum envolvido no esquema de sonegação fiscal na compra e venda de grãos.
“Estou à disposição da Justiça. Só levaram meu celular. Ainda vou ser ouvido. A previsão é de que seja na segunda-feira (13). Eles disseram que pegaram conversas minhas. Pode ser que eu tenha conversado com alguém que está envolvido. Eu converso com muitas pessoas. Estou na vida pública há mais de 23 anos. Sou investigado. Estou sofrendo muito. Nunca respondi nada na minha vida”, disse durante a sessão de hoje (9) na Casa de Leis.
Ainda conforme o servidor, conhecido na Casa como 'Marcão', a promotora Cristiano Mourão, do Gaeco, juntamente com um policial, o acompanhou até o gabinete do deputado Paulo Corrêa (PSDB) e verificaram sua mesa, mas só levaram o celular. Marcão é funcionário da Assembleia, mas está cedido para o gabinete de Corrêa por fazer parte da Comissão de Indústria e Comércio, a qual o deputado é presidente.
“Não sei do que se trata ao certo, mas o pouco que sei não posso falar, porque investigado não fala. Depois do depoimento de segunda eu falo”, completou Marcão.
INVESTIGAÇÃO INTERNA
O deputado estadual Maurício Picarelli (PSDB), presidente da Comissão de Segurança da Casa de Leis, afirmou que não deve haver investigação interna na Assembleia Legislativa, por se tratar de uma suspeita do Gaeco contra a pessoa física do servidor.
“Não vai abrir procedimento nenhum, porque a Casa não está envolvida. É algo particular dele. Celular particular dele que foi apreendido. Não foi levado nada da Assembleia, não tem nada a ver com a Assembleia. Não foi arrombada. Eles pediram para entrar na Casa”, resumiu o parlamentar.
OPERAÇÃO
O foco da ação é sonegação fiscal em operação de compra e venda de grãos. Ao todo, 32 mandados de prisão preventiva e outros 104 de busca e apreensão da operação chamada de “Grãos de Ouro” estão sendo cumpridos em Mato Grosso do Sul e outros seis estados.