Cidades

NO PANTANAL

Resgatada em pátio da UFMS, filhote de onça-pintada vira xodó de alunos

Debilitado, animal já passou por bateria de exames e cirurgia

Redação

13/08/2018 - 19h40

Um mascote ao acaso. Assim é a história da onça de quase 2 anos resgatada pelos próprios alunos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) no pátio da unidade de Corumbá, no Pantanal, na última quarta-feira (8). Completamente debilitado, o animalzinho segue internado em tratamento intensivo no Hospital Veterinário desde então, gerando ansiedade e expectativa em todo o local.  

Funcionários da Escola Rural Jatobazinho avistaram a onça no pátio do local e contataram o pesquisador de Pós-Doutorado em Ciências Veterinárias, Gediendson Ribeiro de Araújo. Ele juntou uma equipe para capturar o animal e trazê-lo para a Universidade.

“A direção da escola me acionou para avisar que tinham visto o animal no pátio e que ele estava muito debilitado. Nisso foi criado um grupo de ação formado pelos projetos Onçafari, Onças do Rio Negro, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, o Instituto Homem Pantaneiro, a Panthera Brasil e a UFMS”, disse o pesquisador.

O felino apresentava um quadro de inanição crônica e desidratação severa, por ficar muito tempo sem se alimentar. Pela pouca idade, estima-se que tenha quase 2 anos, ainda não tem as habilidades de caça totalmente desenvolvidas.

“Nessa idade ele ainda deveria estar com a mãe, por algum motivo ele foi separado dela. Ou ele tinha alguma doença e isso fez com que ele não conseguisse acompanhar a mãe e os irmãos e por isso ele chegou nesse estado, ou a mãe foi abatida e ele ficou sem ter como caçar”, afirma a professora de Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens, Thyara de Deco Souza e Araújo.

Diversos procedimentos foram realizados, como hemogramas e exames renais e hepáticos, além de testes com 14 tipos de microorganismos que poderiam estar causando essa situação grave. O intuito é obter o máximo de informações sobre a saúde do animal e para isso professores, pesquisadores, residentes e acadêmicos estão trabalhando em conjunto.

Considerando o porte da onça resgatada, ela deveria pesar entre 60 e 70 quilos, mas chegou ao Hospital Veterinário pesando 35 quilos. Seguindo uma dieta especial e muita hidratação, em menos de uma semana ela já pesa cinco quilos a mais do que quando foi encontrada.

“Nós montamos uma dieta com todos os nutrientes que ela precisa, com frango inteiro que possui o osso para cálcio e a proteína da carne, fígado de boi que é uma boa fonte de ferro e vitamina A, importantes por conta da anemia da qual ela vem se recuperando, e coração bovino que é uma fonte de taurina, um aminoácido essencial para os felinos”, explicou a professora Thyara Araújo.

Segundo a professora, não há data certa para transferir a onça ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) ou para devolvê-la ao seu habitat, pois o foco no momento é a recuperação da sua saúde.

“Saber o porquê essa ela chegou nesse estado é importante para determinar sua cura. Eu não posso reintroduzir um animal ao seu habitat com alguma doença. O foco agora é deixá-lo forte, bem e saudável enquanto temos tempo para investigar e pensar com calma no bem-estar dele e na conservação das onças-pintadas do Pantanal, que apesar de ter uma população grande, ainda estão em extinção”, disse.

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