Depois de derrubada de casas construídas em invasão no bairro Paulo Coelho Machado - onde deveriam ter sido construídos 3 mil apartamentos da construtora mexicana Homex -, famílias que ocupam o local pedem intervenção para que possam permanecer ali.
Determinação de reintegração de posse, ainda não cumprida, foi expedida no início de agosto. A demolição das construções ocorreu na segunda-feira (13).
No domingo (20), representantes do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza (CDDH) e da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul participaram de uma reunião com aproximadamente 70 pessoas que ocupam a área.
O objetivo do encontro foi coletar informações de 25 famílias presentes, que tiveram casas demolidas durante ação de reintegração de posse realizada no local na semana passada, paralelamente à operação de cadastramento da prefeitura, envolvendo a Agência Municipal de Habitação (Emha) e Guarda Municipal.
Durante a reunião, moradores apresentaram relatos que contradizem versão oficial da Prefeitura e informaram não ter havido apresentação de mandado judicial ou qualquer tipo de documentação para demolição das casas, além de alguns barracos terem sido demolidos com pertences das famílias.
Segundo o presidente do CDDH, Paulo Ângelo de Souza, oito famílias já registraram denúncia no Ministério Público alegando violação de direitos. “Por isso resolvermos conversar com as pessoas envolvidas a fim de termos informações mais detalhadas e assim combinarmos um próximo encontro”, comentou o dirigente do CDDH.
Ao final do encontro foi criada uma comissão representante das famílias e ficou definido que a próxima reunião será na Casa da Cidadania, na quarta-feira (22), às 8h30. Também serão chamados representantes da Prefeitura e Emha, segundo a defensora pública, Olga Lemos Cardoso que participou da reunião.
ENTENDA
A Prefeitura de Campo Grande demoliu algumas casas vazias que foram construídas ilegalmente no terreno que integra o complexo de apartamentos populares da incorporadora imobiliária Homex.
A operação, realizada no dia 13 deste mês, também fez o cadastramento de famílias que estavam morando no complexo invadido, com objetivo de que integrem o cadastro de futuros beneficiários de uma moradia popular.