Cidades

R$ 10 MIL EM LSD E ECSTASY

Na contramão, 'Breaking Bad' da vida real traficava drogas de SP para MS

Professor de química recebia até cocaína de Corumbá como pagamento

Redação

24/08/2018 - 17h13

Nem sempre a vida imitar a arte significa algo positivo. Foi o caso da manhã desta sexta-feira (24), quando o professor de química Caio Rossi, 32 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar de São Paulo em uma agência dos Correios de Santo André (SP) tentando despachar mais de R$ 10 mil em drogas sintéticas, como LSD e ecstasy, fabricadas por ele mesmo. Entre os destinos, cidades de Mato Grosso do Sul como Corumbá e Três Lagoas, em caminho inverso ao habitual do fluxo seguido pelo tráfico de drogas. 

Na cidade da região metropolitana de São Paulo, o caso vem sendo chamado de 'Breaking Bad' da vida real. Uma analogia ao seriado norte-americano de televisão onde, advinhem, um professor de química começa a produzir e vender metanfetamina, droga conhecida no Brasil como cristal, para pagar seu tratamento contra o câncer. 

Na versão paulista, Rossi é ex-professor da rede estadual paulista. Estava licenciado das atividades e, com o orçamento apertado, resolveu há um ano ganhar dinheiro com as drogas que fazia para os amigos e consumo próprio. Deu certo. Tão certo ao ponto de criar uma rede de clientes pela internet grande o suficiente para chamar a atenção de outros 'comerciantes' do ramo.

Segundo a polícia paulista, é quando Mato Grosso do Sul aparece em sua vida. Ambicioso e usuário de outras drogas, o professor criou uma espécie de intercâmbio com traficantes de Corumbá. Recebia cocaína em troca das cartelas de LSD que remetia à Cidade Branca, de onde eram revendidas para toda a Região Centro-Oeste e também o Paraná.

Só que tamanho esquema não ia passar despercebido pela Polícia Federal. Uma caixa de sedex com comprimidos de ecstasy que teria como destino Londrina (PR) foi interceptada pelos agentes em um centro de redistribuição da estatal em Assis (SP). 

Abriu-se investigação há cerca de quatro meses contra Rossi, que utilizava nomes e endereços falsos nos Correios de Santo André para não ser descoberto. Mas um detalhe passou despercebido pelo professor. Ele deu aulas em um dos colégios mais tradicionais da cidade. E utilizava sempre a mesma agência, a principal da cidade, a cerca de um quarteirão de distância onde lecionava. Visto nas imagens das câmeras de segurança, não demorou a ser reconhecido.

Uma foto de Rossi foi entregue na agência, alertando funcionários dos despachos indesejados que realiza. E foi justamnete o aviso que motivou o alerta emitido nesta manhã à PM. O professor tentava despachar duas cartas, para Palmas (TO) e Curitibas (PR), com cartelas de LSD escondidas em meio a livros de histórias em quadrinhos.

Cartaz da PF: identificação foi facilitada, pois professor era conhecido na agência (Divulgação)

Na abordagem, os policiais revistaram a mochila do suspeito e encontraram mais cargas de LSD e ecstasy, que também seriam enviados pelos Correios, totalizando quase R$ 10 mil em drogas, conforme o preço de revenda nas ruas, segundo a polícia.

Na casa do suspeito, sua prórpia mulher entregou o esconderijo das drogas, mais uma irônica semelhança com o seriado

Foram localizadas cargas de maconha, LSD e ecstasy, R$ 2,4 mil em dinheiro e as três cadernetas onde ele anotava a contabilidade do seu negócio. Foi através desses escritos que descobriu-se sua movimentação com os parceiros de 'negócio no Estado e as remessas de cocaína que recebeu como parte do pagamento por algumas encomendas de drogas sintéticas.

O caso foi registrado em uma delegacia de Santo André, onde Rossi foi indiciado por tráfico de drogas. Só a relação de drogas e produtos químicos usados para o preparo ocupam cinco páginas do boletim de ocorrência feito.

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