Superlotados, os 102 Centros de Educação Infantil (Ceinfs) de Campo Grande funcionam com 1.085 alunos a mais do que a capacidade. A situação pode ser uma das razões de tantas reclamações de pais e responsáveis quanto às condições desses locais, além dos acidentes que ocorrem com as crianças.
Em 2018, conforme dados do Sistema Municipal de Indicadores de Campo Grande (Sisgran), o quadro é mais grave nos primeiros anos da educação infantil, nos berçários I e I e creches I e II, que atendem crianças entre 4 meses e 2 anos de idade e entre 2 e 4 anos (completos até março), respectivamente.
Para essas faixas etárias, são 12.623 vagas, mas há 13.708 matriculados. Somente na creche I, são 398 matrículas a mais que a capacidade. Nas faixas etárias de pré I e II (entre 4 e 6 anos), ocorre situação inversa: sobram 803 vagas, sendo 3.451 matriculados enquanto há 4.254 vagas.
E com tantas crianças, o número de profissionais que lidam com elas acaba sendo insuficiente para a demanda. “Meu filho não sabe o que é tinta guache, está na creche desde o ano passado e não tem atividade nenhuma a não ser parquinho”, disse Josimara de Oliveira, 31 anos, sobre os problemas no Ceinf Sônia Helena, no Jardim Panorama, onde deixa o filho de apenas 2 anos.
Para a mãe de Antônio Miguel, também de 2 anos, Victória Krause, 21 anos, a falta de profissionais no Ceinf Novos Estados foi o principal motivo para que a criança sofresse amputação de ponta do dedo mínimo da mão direita. O incidente ocorreu na terça-feira (21), supostamente após outras crianças terem fechado uma porta sobre a mão do menino.
“Com certeza, não me chamaram assim que aconteceu, pois eu cheguei e ele estava dormindo no colo da professora. Grave como foi, ele estaria chorando. Além disso, em nenhum momento me falaram que tinha saído um pedaço do dedo dele, porque se tivessem eu autorizaria a levarem para o posto na hora”, afirmou, indignada, a mãe.
“Eu percebi desde o começo do ano que são poucos funcionários e sempre mudam. A direção sempre pede para termos paciência quanto a isso. Só na sala do meu filho são 17 crianças e duas cuidadoras”, disse.
No entanto, o caso foi grave e a criança precisou passar por cirurgia. A parte do dedo amputado, entregue para a mãe quando buscou a criança na creche, não pôde ser reimplantada. “Foi negligência e descaso com meu filho. Não deu para reconstruir porque quebrou o osso”, disse Victória.
Ela reclama principalmente pelo fato de a criança não ter sido socorrida e levada imediatamente ao hospital. A direção do Ceinf esperou por ela para entregar a criança, sem dar nenhum tipo de atendimento.
O menino ainda se recupera da cirurgia que precisou fazer por conta da amputação, na Santa Casa, e esta já foi a segunda vez que ele foi vítima da mesma situação. Em abril deste ano, também após prender o dedo na porta da creche, ele perdeu a unha. “Na época, disseram pela agenda que colocaram gelo e fizeram o registro em ata, só isso”, contou Victória.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) foi procurada pela reportagem para explicar a forma de atuação, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição. Também não foi informado o número de profissionais que atuam nos Ceinfs.
CASOS
O caso é semelhante ao de Joaquim, que, em agosto de 2016 – quando tinha 1 ano e 10 meses –, também teve parte do dedo da mão esquerda amputada no Ceinf da Vila Nasser. “Esse caso foi igual ao do meu filho. Eu entrei com processo [contra o município]”, explicou Érika Sigueira, 33 anos, mãe do garoto. Na época, ele também passou por cirurgia e ficou internado na Santa Casa.
Após a exposição do caso de Antônio Miguel na internet, as redes sociais dos pais tiveram inúmeras mensagens de pessoas relatando terem vivido as mesmas situações.
“Que descaso! Se tivesse levado na hora poderia recuperar. Isso aconteceu comigo dois anos atrás. Foi amputação, mas conseguiram recuperar porque fui no mesmo instante pra Santa Casa. Foi uma negligência enorme da creche”, disse Jéssica Ajala.
“Meu filho também sofreu acidente, mas perdeu a unha”, disse Raphaela Sampaio. “E o pior de tudo foi que, se a mãe não chegasse, a criança iria ficar sem atendimento médico. Uma irresponsabilidade por parte do Ceinf em não levar a criança rapidamente ao hospital, quem sabe até poderia ser religado o membro do inocente e a dor que esse anjinho estava sentindo”, disse Rudiney Rodrigues.
O tema também foi discutido ontem no programa “Bom Dia Mega”, na Rádio Mega 94 FM.
FALTA DE VAGA
Para cada criança que está matriculada nos Ceinfs de Campo Grande, pelo menos mais uma aguarda na fila por uma vaga. Até novembro do ano passado, eram 11.718 crianças na fila, enquanto 16.227 estavam nas creches, de acordo com dados da Semed. O tamanho da fila deste ano não foi informado pela secretaria.
Superlotados, os 102 Centros de Educação Infantil (Ceinfs) de Campo Grande funcionam com 1.085 alunos a mais do que a capacidade. A situação pode ser uma das razões de tantas reclamações de pais e responsáveis quanto às condições desses locais, além dos acidentes que ocorrem com as crianças.
Em 2018, conforme dados do Sistema Municipal de Indicadores de Campo Grande (Sisgran), o quadro é mais grave nos primeiros anos da educação infantil, nos berçários I e I e creches I e II, que atendem crianças entre 4 meses e 2 anos de idade e entre 2 e 4 anos (completos até março), respectivamente.
Para essas faixas etárias, são 12.623 vagas, mas há 13.708 matriculados. Somente na creche I, são 398 matrículas a mais que a capacidade. Nas faixas etárias de pré I e II (entre 4 e 6 anos), ocorre situação inversa: sobram 803 vagas, sendo 3.451 matriculados enquanto há 4.254 vagas.