Um dos acusados pelo assassinato do delegado aposentado Paulo Magalhães de Araújo, Antônio Benites Cristaldo será julgado na manhã desta quarta-feira (29), a partir das 8 horas, na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Ele deveria ter ido a júri há duas semanas, juntamente com o guarda municipal José Moreira Freires, outro réu que foi condenado a 18 anos de prisão, no entanto, teve o julgamento adiado a pedido da defesa, uma vez que os advogados haviam sido constituídos poucos dias antes e não tiveram tempo suficiente para analisar todo o conteúdo do processo.
Cristaldo é acusado de ter usado um veículo Fiat Pálio para escoltar José e Rafael Leonardo dos Santos, que estavam em uma moto e executaram a vítima. O crime foi em 2013 e, naquele mesmo ano, Rafael foi encontrado morto. O julgamento de José ocorreu no último dia 15, cinco anos depois, pela 2ª Vara do Tribunal do Júri. Ele foi condenado a 18 anos de prisão em regime fechado. No entanto, como está amparado por habeas corpus, o juiz responsável pelo caso determinou que ele poderá recorrer em liberdade, com uso tornozeleira eletrônica.
O CRIME
Paulo Magalhães estava dentro do carro, um Land Rover, aguardando a filha sair da escola, na Rua Alagoas, quando José Moreira Freires, que estava na garupa de uma motocicleta, passou pelo local e disparou várias vezes contra o delegado. Antônio Benites Cristaldo escoltava o atirador e o piloto da motocicleta, Rafael Leonardo dos Santos, em um Fiat Palio para garantir o sucesso na execução. Rafael foi encontrado morto meses depois, no lixão da Capital. Suspeita é que o crime foi encomendado, mas não foi esclarecido quem seria o mandante.
Segundo informações, o planejamento e execução do crime teriam envolvido cifras altíssimas, até mesmo pelo fato de a vítima ser um delegado aposentado e dadas às denúncias contra diversas pessoas, desde políticos até integrantes do Judiciário.Magalhães também fazia denúncias pelo seu site Brasil Verdade. Julgamento chegou a ser marcado para o dia 4 de fevereiro de 2015, mas foi suspenso por conta de recurso da defesa, que pedia a anulação da sentença de pronúncia, proferida no dia 30 de outubro de 2014. Recurso foi negado pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no dia 18 de abril deste ano.
Pelo fato de estar amparado por habeas corpus, acusado aguardou julgamento em liberdade. Freires foi condenado por homicídio qualificado por recurso que dificulte a defesa da vítima e mediante promessa de recompensa ou outro motivo torpe. Cristaldo responde pelo mesmo crime e também por usar de violência ou grave ameaça contra autoridade ou qualquer outra pessoa que é chamada a intervir em processo judicial, pois teria ameaçado três testemunhas.