Cidades

CAMPO GRANDE

OAB teme uso eleitoreiro de votação do Plano Diretor

Risco é de que parlamentares, muitos deles candidatos, sejam pressionados por interesses diversos

O prolongamento da tramitação do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Campo Grande (PDDUA) na Câmara de Vereadores, até o período eleitoral, pode comprometer a lisura da votação. 

 Desde novembro do ano passado o documento está sob análise dos 29 vereadores, dos quais 13 são candidatos a cargos públicos na eleições de 2018. O projeto de lei poderia ter sido votado durante todo esse período, no entanto, no dia 14 o relator e vereador Willian Maksoud (PMN) pediu mais dias para análise. 

Ele chegou a afirmar, há duas semanas, que entregaria o relatório dentro de sete dias, o que não ocorreu. E durante sessão realizada ontem ele anunciou que cumprirá o prazo de 30 dias de vista do projeto. O prazo foi solicitado no dia 14 de agosto e a entrega do relatório está prevista para ocorrer no dia 12 de setembro. 

“Já estou terminando o relatório e vou seguir com os 30 dias de prazo, porque assim que concluído vai ser pautado e votado”. 

No início do mês, o presidente da Câmara, vereador João Rocha (PSDB), afirmou que o projeto precisa passar ainda por cinco comissões até ser submetido a votação em plenário. Atualmente, o projeto está na Comissão Permanente de Legislação, Justiça e Redação Final.

Dos vereadores que compõem tal comissão, dois são candidatos nas eleições deste ano, André Salineiro (PSDB) a deputado estadual e Odilon de Oliveira Junior (PDT) a deputado federal.

Maksoud atribui a demora na finalização do relatório às 105 emendas dos vereadores da Casa ao projeto, além de inúmeras sugestões de grupos da sociedade civil e da prefeitura. “As sugestões por parte desses segmentos passaram de 200”, afirmou. O novo Plano Diretor deveria ter entrado em vigor em janeiro de 2017.

O presidente da Comissão de Direito Imobiliário, Notarial e Registral da Ordem de Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Alípio Marcus Laca de Oliveira, afirma que o aconselhável é não votar projetos tão importantes como este em período eleitoral. 

“Já deveria estar em voga, mas, já que estamos no processo eleitoral, o melhor seria adiar até o fim das eleições para não comprometer a lisura do ato”, comenta.

Conforme o advogado, apesar do atraso, o município não pode ser penalizado pela demora. No entanto, por envolver diversos interesses, o recomendando é submeter o projeto de lei à votação fora do período eleitoral para evitar que os vereadores sofram qualquer tipo de pressão externa. “O Plano Diretor é a espinha dorsal do município. Será utilizado para tudo”, ressalta Oliveira. 

POLÊMICAS
A elaboração do Plano Diretor foi envolta de polêmicas. Em março do ano passado, a Justiça determinou a realização de no mínimo dez audiências e outros trâmites para a elaboração do documento. A medida ocorreu após pressão de 30 instituições da sociedade civil, que alegaram que o projeto não havia sido debatido com a sociedade civil em 2016, quando deveria ter sido revisado.

Não bastasse a demora para chegar à Câmara Municipal para análise, o prefeito Marcos Trad (PSD), em julho deste ano, pegou o rascunho do projeto dos vereadores para verificação, mas devolveu sem nenhuma justificativa sobre o motivo da ação e sem alterações na minuta. 

Na mesma época, a promotora Andréia Cristina Peres da Silva, do Ministério Público Estadual (MPE), recomendou a adoção do Coeficiente de Aproveitamento (relação entre a área edificável e a área de um terreno) único para Campo Grande. 

Em nota divulgada na época, 18 entidades relacionadas à construção, imóveis, comércio e indústria se posicionaram contra a recomendação e citaram dez pontos de alerta contra as mudanças defendidas pelo MPE. (Colaboraram Bruna Aquino e Leandro Abreu)

JUDICIÁRIO

Fábio Possik Salamene toma posse como desembargador do TJMS

Promovido por merecimento, magistrado tem 27 anos de carreira e assume a vaga deixada pela aposentadoria de Lúcio Raimundo da Silveira

05/11/2026 17h18

Fábio Possik Salamene tomou posse administrativa como desembargador do TJMS nesta quinta-feira (5)

Fábio Possik Salamene tomou posse administrativa como desembargador do TJMS nesta quinta-feira (5) Divulgação/TJMS

Continue Lendo...

Saúde Sob Auditoria

Prefeitura tem 15 dias para explicar R$ 71 milhões da saúde em Campo Grande

Auditoria federal aponta inconsistências e possível devolução de recursos; Câmara cobra documentos e plano para corrigir falhas.

05/11/2026 17h06

use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura.

use a fachada da Sesau na capa e mantenha a foto de Papy com Dr. Victor Rocha no meio da reportagem, próximo ao trecho sobre o ofício enviado à Prefeitura. Foto: Arquivo Correio do Estado.

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).