Cidades

TROCA DE BEBÊS

Mulher chegou a perder uma gravidez após descobrir que foi trocada na maternidade

Apoio da família foi essencial para superar os dois traumas

Fábio Oruê

04/09/2018 - 18h51

Cleonice Bonin, de 42 anos, que supostamente foi trocada na maternidade, há 42 anos atrás, em Dourados, estava grávida de cerca de três meses quando descobriu que não era filha biológica de seus pais. Com o choque da notícia, infelizmente, a mulher perdeu o bebê.

De acordo com o que Cleonice disse ao Correio do Estado, as pessoas comentavam tanto que ela não era parecida com as irmãs, que resolveu fazer o teste de DNA para provar que era biologicamente da família. "Eles falavam que eu era mais morena que elas, que minha personalidade era diferente. Eu não acreditava, fiz o exame só por uma questão de tirar as dúvidas", conta ela, que disse que todos acharam um absurdo a decisão de fazer o DNA. 


Além de descobrir que não era filha biológica dos pais, Cleonice teve outra surpresa desagradável. "Eu estava grávida na época e cheguei a perder meu bebê; foi muito difícil". Ela, que já era mãe de uma menina, hoje tem um menino de 1 ano também.

Cleonice recebeu o apoio de toda a família com a situação. Do esposo, dos primos, dos avós e também da irmã, Elenise Martvi, de 46 anos, que contou que além de lidar com a tristeza de descobrir que a irmã não era de sangue, também tinha que dar apoio à ela. "Eu, como irmã, queria dar força para ela; No começo ela ficou deprimida, e a gente também fica triste", disse ela ao Correio do Estado. 

A mãe, Nilza Bonin, conforme noticiado pelo site, relembrou a época. "Foi muito triste; fiquei tempos sem dormir e chorava toda hora [...] Ela sofreu muito também, entrou em depressão". 

Assim como a mãe, Elenise também não acreditava que Cleonice não era sua irmã. "A gente nunca se deixou influenciar pelas pessoas que falavam que ela era diferente e que não era nossa irmã", conta ela, que, mesmo depois do exame, considera Cleonice como uma irmã. "Na minha cabeça ela sempre será, independente de qualquer coisa". 

DUAS FAMÍLIAS 

Cleonice conta que a relação com a família até melhorou, principalmente com o pai, depois da descoberta. "Acho que ele tem medo que eu deixe de amar ele; ou me afaste. Meu pai é antigo, tem 75 anos já; A gente mostrou a [primeira] matéria e ele até chorou", disse. 

A mulher, que trabalha como monitora de creche, não esconde a vontade de conhecer os pais biológicos. "Eu tenho muita vontade de conhecê-los; Pelo fato das pessoas falarem que eu não sou parecida com minhas irmãs, eu quero ver se eu pareço com alguém, se eu tenho mais irmãos; Com alguém eu tenho que parecer", ressalta ela.

A irmã Elenice, conta que a relação ela não mudou em nada. "Nossa convivência não mudou em nada. Mesmo quando a gente cresceu e começou a ver uma diferenciação nela, o vínculo sempre foi o mesmo; nunca passou pela minha cabeça que ela não era nossa irmã". Hoje, Cleonice e Elenise vivem em Santa Bárbara do Oeste (SP) e têm uma outra irmã, que vive em Mato Grosso. 

A BUSCA 

Segundo dona Nilza, a família procurou o hospital onde foi feito o parto, mas só lhes entregaram uma ficha com alguns nomes e, hoje, já não prestam nenhum apoio. A polícia e o Fórum também foram procurados, mas como o fato foi há muitas décadas e as partes já são maiores de idade, nada poderia ser feito. Os familiares acreditam que as meninas podem ter sido trocadas na maternidade. 

Com a lista, a família conseguiu localizar uma mulher, em Campinas (SP), que poderia ser a filha biológia de Nilza, mas foi feito um exame de DNA, resultando em negativo. Cleonice diz que é difícil procurar somente com base em um papel e que tentou escrever à programas de televisão em uma tentativa que conseguir localizar os pais. "Eu mandei um email para o programa da Eliana e, também,para o Rodrigo Faro, mas nós não tivemos nenhum retorno".

HISTÓRICO 

Conforme noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, em 2012, a dona Nilza aceitou fazer o exame de DNA com a filha Cleonice, que atualmente tem 42 anos, para acabar com uma dúvida que começou desde que a mulher era uma criança. Cleonice, além de não se parecer com as duas irmãs, era mais alta que elas.

Em conversa com a reportagem do Correio do Estado, dona Nilza contou que as diferenças foram os motivos da desconfiança, que atormentavam a vida da pequena Cleonice. "Ela se revoltou porque as pessoas ficavam falando que ela não se parecia com as irmãs", conta a mãe. Para a dona Nilza, o diferencial entre as filhas nunca foi de grande importância. "As vezes as irmãs podem sair diferentes, né? Por isso não dei muita bola e achei que não era nada", disse. 

A menina nasceu no dia 9 de janeiro de 1976, no Hospital Evangélico de Dourados, cidade onde a família morava. Na época, não houve nenhuma desconfiança em relação a criança.

Há seis anos, elas fizeram o exame de DNA, por duas vezes, no estado de São Paulo. Quando descobriram que Cleonice não tinha o mesmo sangue que o resto da família, é que começou a saga deles para encontrar a filha biológica de Nilza e os pais de Cleonice.

Quem tiver informações pode entrar em contato com a dona Nilza, no número 67 996941820.

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