Durante a rodada de entrevistas ao Correio do Estado, o candidato a reeleição do Governo de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), disse que a verdade vai prevalecer sobre a mentira, em relação ao delator da operação Vostok, deflagrada no último dia 12 de setembro. O assunto surgiu após a pergunta de uma leitora sobre a opinião do atual governador que também é investigado pela Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com Azambuja, até o momento todos só ouviram a versão de José Ricardo Guitti Guimaro “Polaco”, também investigado na operação. “Olha os depoimentos dos 14 investigados, que injustamente foram presos numa coisa midiática e vazada, ninguém ouve o nosso lado”, disse.
Ainda em resposta a leitora, Azambuja continuou: “Às vezes a gente é injustiçado na vida pública por essas coisas. A própria condenação é precoce. Ontem ele (Polaco) esclareceu nada mais do que a verdade, eu acredito que sempre a verdade vai prevalecer a mentira”, finalizou.
RELEMBRE O CASO
José Ricardo Guitti Guimaro, conhecido como “Polaco”, havia concordado, em abril deste ano, a fazer delação premiada sobre as denúncias investigadas pela Polícia Federal, envolvendo o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que vieram à tona na última quarta-feira. Ameaçado de morte, ele recuou da decisão e ainda acusou de coação o promotor responsável pelo caso, Marcos Alex Vera, da 30º Promotoria de Justiça.
Documentos aos quais o Correio do Estado teve acesso, demonstram que no dia 20 de abril deste ano, Polaco encaminhou aos Ministérios Públicos Estadual (MPMS), Federal (MPF) e à Superintendência da Polícia Federal uma “proposta de colaboração premiada”.
No documento, o corretor de gado alegava que tinha ciência das investigações que apontavam que ele seria operador de valores “em nome de autoridade que detém função pública relevante e de comando no Estado”, e que a ideia da colaboração surgia “no sentido de auxiliar os representantes do Ministério Público a identificarem os valores decorrentes de lavagem de dinheiro e outros crimes”.
Polaco afirmava ainda que tinha notas fiscais, bem como cheques e bilhetes manuscritos que indicariam com segurança a participação do chefe do executivo, Reinaldo Azambuja (PSDB), e pelo menos um dos filhos dele, num esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, e assegurava que estava se dispondo a delatar os ex-aliados de forma voluntária.