Cidades

MEMÓRIA

O dia em que avião 'caiu de nariz' na região da Avenida Zahran

Táxi-aéreo com médicos de SP que iam para pescaria errou o pouso

Redação

20/09/2018 - 20h20

ACONTECEU EM 1980...

Hoje um dos bairros mais nobres de Campo Grande, o Jardim Vilas Boas, na região central, já viveu tempos de agito pelo fato de abrigar durante cerca de 50 anos o Aero Rural, um aeroporto de pequeno porte próprio para pousos e decolagens de monomotores que chegavam à entao sede administrativa do pulsante estado mais jovem do Brasil.

Não só pelo aspecto oficialesco, de receber autoridades nacionais, o Aero Rural atraía imenso número de táxis aéreos de turistas interessados em partir de Campo Grande para conhecer o Pantanal, ir ao Paraguai ou interessados e envolvidos no agronegócio.

Em uma ex-cidade interiorana que se preparava para virar metrópole, não tardaria a acontecer um acidente que fosse o ponto de partida da mudança de local da estrutura que já oferecia risco pela proximidade dos conjuntos residencias e casas que eram construídos em seus arredores. E ele veio em 16 de setembro de 1980.

"Cessna cai, parte-se ao meio e dois passageiros ferem-se", foi a manchete do dia seguinte, uma quarta-feira, do Correio do Estado. Na reportagem, é relatado que um táxi-aéreo prefixo PT-JSL que trazia dois médicos de São Paulo para uma pescaria no interior acabou colidindo junto ao chão nas cercanias da Avenida Três Barras, após o piloto errar o cálculo para o pouso, antecipar a aterrizagem e sair destruindo tudo o que encontrou pela frente."Caiu de nariz", relatou testemunhas à reportagem.

De acordo com a reportagem, o acidente, que aconteceu por volta das 10h, virou o asunto do dia na Capital."A queda da aeronave ocorreu próximo à Avenida Eduardo Elias Zahran, principal via de ligação da região sul da cidade com as regiões norte e leste, e não foram poucos os curiosos que resolveram parar a fim de ver de perto a aeronave destruída", diz o texto.

Como consequência, explora o texto, o táxi aéreo ficou com o teto 'colado' junto ao chão, dificultando o socorro do piloto e dos dois passageiros. Todos foram levados à Santa Casa bastante feridos, com fraturas expostas em pernas e braços.

APURAÇÃO

Na reportagem, o Correio destaca que o nome do piloto não teve a divulgação autorizada pela Aeronáutica. Consequência dos anos de Ditadura Militar vividos. As causas do acidente também foram mantidas em sigilo.  

A aeronave, completamente destruída, ficou em plena Avenida Três Barras por horas. É informado que os fortes ventos da região podem ter ajudado o piloto a perder o controle da aeronave.

Apesar do texto relatar que acidentes no local são raros, a existência de uma pista de pouso em plena região central incomodava. Tanto que o Aero Rural acabou desativado do local anos depois. Foi transferido para a região do Tiradentes, na BR-262, saída para Três Lagoas, região leste da Capital.

Hoje, o local no atual pacato Vilas Boas, onde existiu a maior central de táxi aéreo da cidade, abriga um condomínio residencial de alto padrão que homenageia o antigo dono do espaço utilizando o mesmo espaço.


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