Na rodoviária de Corumbá, o casal Juan Anes, 39 anos, e Elvire Desir, 35, compra passagem para Holambra, município na microrregião de Campinas, São Paulo. Depois de atravessar o oceano e viajar por mais de 4 mil quilômetros, eles ainda não conseguiram descansar e carregam na bagagem muito mais peso do que a mochila nas costas de cada um.
Os dois chegaram ao Brasil na noite de domingo, 8 de setembro, um dia antes desse encontro. Não falam português, mas dominam espanhol, francês, um pouco de inglês e o crioulo haitiano, também conhecido como créole, língua falada por quase toda a população do Haiti (9,2 milhões).
São os taxistas, alguns que falam espanhol, que os ajudam na comunicação com quem se aproxima.“Ele disse que entrou na Bolívia pelo Chile, vieram ao Brasil em busca de trabalho. Os dois foram roubados pelos bolivianos na viagem. Levaram 200 dólares”, conta Mauro Carneiro, taxista de 68 anos que traduz o que Juan disse. Ele costuma ajudar os haitianos a se comunicarem em espanhol.
Sobre outros casos que já ouviu, Mauro conta que “eles [bolivianos] roubam muitos deles [haitianos], obrigam as mulheres a ficarem nuas, humilham mesmo. Outro dia, um rapaz me contou que teve uma jaqueta rasgada por eles, porque ele não tinha dinheiro e eles acharam que ele escondia dentro da costura da roupa. Tem haitiano que chora de fome e vergonha”, lamenta.
*Leia mais na reportagem de Luana Rodrigues , na edição deste sábado/domingo (22-23) do Correio do Estado