Cidades

CAMPO GRANDE

MPE pede novamente que Carnaval saia da Esplanada Ferroviária

A orientação é que seja disponibilizado um local adequado e sem bens culturais

Redação

25/09/2018 - 10h01

Na tentativa de preservar o patrimônio histórico e cultural da região da Esplanada Ferroviária de Campo Grande, o Ministério Público Estadual (MPE) recomendou mais uma vez à prefeitura que seja proibida a realização do Carnaval de rua no local no próximo ano. A orientação é que seja disponibilizado um local adequado e sem bens culturais.

Assinada pela promotora de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, a recomendação orienta que a prefeitura não autorize a realização dos blocos de rua na região, já a partir de 2019. Em seguida, a promotora afirma que o município deva dar uma opção aos foliões.

“Estabeleça a realização dos eventos carnavalescos em locais com estrutura adequada, onde não existam bens culturais que possam ser expostos a riscos”, conclui a recomentação.

CORDÃO VALU

Tradicionalmente realizado na Esplanada há 10 anos, o Cordão Valu é o mais popular da Capital e reuniu cerca de 30 mil pessoas no Carnaval desse ano.

No dia 14 de setembro a promotora, a partir de elementos colhidos durante um inquérito civil, conclui que a realização de grandes eventos como carnaval, enterro dos ossos e afins, na região da Esplanada Ferroviária, não é mais viável.

Conforme ata da reunião, além de representantes do MPE, participaram da reunião representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Sectur), da Fundação de Cultura do Estado, e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A promotora afirma que a decisão foi unânime.

Na época, a idealizadora do Cordão Valu, a professora de história Silvana Valu, de 46 anos, sabia que ação corria no MPE, mas esperava a realização de audiência antes de qualquer recomendação. “Ficamos indignados. Ela tomou uma decisão sem nos ouvir. Sem ouvir o que a gente tinha a dizer. Se tirar o Carnaval de lá, ela está mexendo com toda história do carnaval de Campo Grande”, disse.

Os organizadores dos blocos de rua alegaram ainda que em outras regiões do país, como Salvador (BA), e também aqui no Estado, em Corumbá, o Carnaval de rua é realizado em áreas tombadas pelo patrimônio histórico. Além disso, a realização do evento na Capital contou com autorização do Iphan e está em acordo com outras normas vigentes no município. 

A reportagem entrou em contato com a prefeitura para saber se a recomendação será cumprida, mas não teve resposta até a publicação desta matéria. 

*Colaborou Tainá Jara

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