Falta de manutenção da estrutura semafórica não é mais o único empecilho para melhorar o fluxo de veículos na região central de Campo Grande. A implantação da chamada onda verde pelo Consórcio CAM esbarrou no tumulto causado pelas obras do Reviva Campo Grande. Embora as frentes de trabalho concentrem-se na Rua 14 de Julho, as vias adjacentes são impactadas pelos desvios e o trânsito é afetado.
A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) anunciou, na semana passada, que seis ruas consideradas de intenso fluxo de veículos já estão com o sistema semafórico operando de forma sincronizada. Entre as vias contempladas pelo serviço, estão a Avenida Afonso Pena e as ruas 13 de Maio, Rui Barbosa, Padre João Crippa, Bahia e Antônio Maria Coelho.
Para a onda verde se concretizar, não basta apenas a sincronia dos semáforos, mas também que os condutores mantenham a mesma velocidade média, 45 quilômetros por hora. A reportagem do Correio do Estado esteve em algumas das vias onde os aparelhos foram reorganizados e constatou que os motoristas ainda não sentiram a melhoria.
A Rua Rui Barbosa, para onde foi transferido parte do trânsito da 14 de Julho, inclusive ônibus do transporte coletivo, é onde o fluxo está mais caótico. Nos cruzamentos entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Afonso Pena, há congestionamentos que impossibilitam o cumprimento da velocidade média pelos condutores. Na Rua 13 de Maio, a sincronia dos semáforos não foi confirmada pela reportagem.
Na Avenida Afonso Pena, os aparelhos estão sincronizados, no entanto ainda há gargalos em alguns cruzamentos. “Está bem pior, por causa das obras”, afirmou a analista de sistemas, Andréia Moura, 36 anos.
Na Rua Antônio Maria Coelho, os conjuntos semafóricos também estão em sincronia. “Não demorei nem cinco minutos para chegar do centro até aqui”, afirmou o aposentado Marques Domingues, 56 anos. Ele estacionou para ir até um estabelecimento localizado na via, entre as ruas Padre João Crippa e José Antônio.
Em nota, a Agetran afirmou que as seis vias citadas inicialmente estão com semáforos sincronizados. “O sincronismo já foi implantado, agora cabe ao motorista ir se adequando ao sistema”.
PROJETO
A implantação da onda verde é apenas um dos projetos a ser colocados em prática pelo Consórcio CAM. Operando desde maio na Capital, as empresas ofereceram em licitação R$ 31.781.691,72 para operar durante um ano na manutenção de 474 semáforos.
O Consórcio Cam é de São Paulo. Constituído por ARC Comércio Construções e Administração de Serviços e Meng Engenharia Comércio, venceu a disputa contra a empresa Sinales - Sinalização Espírito Santo Ltda, do Espírito Santo.
Entre os projetos previstos em contrato também estão a implantação de sistema de monitoramento por meio de Central de Serviços Operacionais (CCO). A estrutura é essencial para o funcionamento mais efetivo da própria onda verde, já que possibilitará a regulação remota (a distância) dos equipamentos, dando maior agilidade na solução de problemas técnicos.
O prazo máximo, conforme edital de licitiação, para a estruturação da Central é de 18 meses, e o custo é R$ 3 milhões do total em serviços contratados com o Consórcio. A instalação dos equipamentos e softwares internos da central deve ocorrer no prazo de seis meses. As tecnologias utilizadas em campo devem ser implantadas em até um ano, e os ajustes do sistema serão feitos no prazo total de 18 meses.