Tradicionalmente a procura por arranjos de flores naturais e artificiais aquece o comércio informal na porta dos cemitérios de Campo Grande, em razão do Dia de Finados, celebrado na sexta-feira (2). Ainda nesta quinta-feira, o movimento da véspera estava maior do que o esperado, fomentado, principalmente, por moradores que faziam a limpeza de sepulturas de familiares e aproveitavam para deixar velas acesas e vários enfeites.
No cemitério São Sebastião, na Vila Cruzeiro, o segundo maior da Capital, a expectativa é de que 40 mil pessoas passem pelo local. Por isso, a aposentada Maria Roberta da Silva, de 66 anos, já montou sua barraca na portaria, com expectativa de comercializar aproximadamente 1.500 arranjos entre vasos, flores, coroas e cruzes que vem fabricando artesanalmente há quatro meses, além de velas, fósforos, água e refrigerante.
“Aqui é tudo feito a mão. Compro os materiais e vou montando os arranjos com minha criatividade. Se não chover, a expectativa é de bom movimento”, disse a vendedora ambulante que há 22 anos marca presença no mesmo ponto. Já no cemitério Santo Amaro, onde 60 mil visitantes devem passar amanhã, Adair Júnior, 19 anos, estava gerenciando a barraca da família, para comercializar os cerca de 600 arranjos de flores feitos pelos pais. “A gente tá aqui todo ano, e sempre é bom para as vendas. No dia das mães também vendemo”, pontuou.
MANUTENÇÃO
A projeção de boas vendas é motivada pelo grande movimento de pessoas nos cemitérios, especialmente nesta quinta-feira, para limpeza e manutenção das sepulturas. “É uma forma de demonstrar o respeito a quem foi importante para a gente”, disse o administrador de empresa Jorge Rezende de Sá, de 54 anos, que organizava a sepultura dos avós paternos, colocava novos vasos de flores e acendia velas. “É muito bom ver ele fazendo essas homenagens”, disse a mãe dele, Abadia Oliveira de Sá, de 74 anos.
No mesmo cemitério, Luis da Mota, de 62 anos, pintava o túmulo do pai junto com os irmão José e Luiz. “Tem que vir mesmo e prestar uma homenagem, porque daqui a alguns anos vai ser a gente, então é importante demonstrar consideração e manter viva a memória de nosso pai, que foi um guerreiro e andava 12 quilômetros todo dia para buscar o leite da gente na infância difícil em Pernambuco”.
No Santo Amaro, a aposentada Leda Ganiko, 74, moradora na Vila Bandeirante, fazia a manutenção no local onde o marido foi sepultado. Acompanhada do filho, ressaltou que, por ser de origem japonesa, leva a sério a cultural oriental, principalmente no que diz respeito à honra dos mortos. “Nossa cultura fala muito sobre o respeito de nossos antepassados e pessoas que foram importantes em nossas vidas. Então, é uma oportunidade de agradecer”, pontuou.