Cidades

POSSE

López Obrador toma posse e promete transformação profunda e radical no México

Líder esquerdista voltou a prometer um crescimento anual de 4% ao ano

Redação

02/12/2018 - 05h00
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Com um discurso em que prometeu ser um divisor de águas na história do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, 65, assumiu neste sábado (1º) a Presidência prometendo um governo austero e voltado aos mais pobres.

"Pode soar pretensioso ou exagerado, mas hoje não inicia somente um governo. Hoje começa uma mudança de regime político", disse López Obrador, no Congresso, diante de parlamentares e convidados estrangeiros.

"A partir de agora, começa uma transformação política e ordenada, mas ao mesmo tempo profunda e radical porque se acabará com a corrupção e a impunidade que impedem o renascimento do México".

Em discurso de 1h18min, o líder esquerdista voltou a prometer um crescimento anual de 4% ao ano, mas disse que não gastará mais do que arrecada e que respeitará a independência do Banco Central.

Ele assegurou que os recursos para investimentos e programas sociais virão do combate à corrupção e de medidas como a redução dos salários do funcionalismo e até da venda do avião presidencial –prometeu usar voos comerciais.

"Não se condenará os que nascem pobres a morrer pobres", disse. "Vamos governar para todos, mas daremos preferência aos vulneráveis e aos despossuídos. Primeiro os pobres."

Entre as promessas de campanha repetidas no discurso, o novo mandatário disse que diminuirá o preço da gasolina, abrirá cem universidades públicas e criará uma ajuda financeira para 1 milhão para pessoas com deficiência.

Em mensagem aos que temem que ele se perpetue no poder, o líder esquerdista disse que não tentará mudar a Constituição para buscar a reeleição. Prometeu também convocar um referendo revogatório sobre o seu mandato daqui a dois anos e meio. No México, o mandato presidencial é de seis anos.

Eleito com 53% dos votos, a votação mais ampla da história mexicana, López Obrador conta ainda com a maioria absoluta no novo Congresso, empossado em setembro.

Em mudança de posição, prometeu a criação de uma Guarda Nacional militarizada para combater o crime organizado e a violência, medida que precisa de aprovação do Congresso. Até recentemente, defendia que o Exército não deveria ser usado para esse fim.

Em 2006, sob críticas do líder esquerdista, o presidente direitista Felipe Calderón declarou guerra ao narcotráfico e passou a empregar o Exército na segurança pública. O resultado foi o aumento no número de mortos e de violações aos direitos humanos sem que o crime organizado fosse desmantelado.

Com relação às relações internacionais, López Obrador adotou um tom amistoso ao mencionar os Estados Unidos. Agradeceu a presença do vice-presidente Mike Pence e disse que tem recebido um "tratamento respeitoso" do agora colega Donald Trump, que estava representado também pela filha Ivanka.

O mexicano fez apenas uma menção protocolar ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro, presente na posse. Em protesto, parlamentares da oposição gritaram "ditador" e levantaram uma faixa diante do plenário onde se lia: "Maduro, você não é bem-vindo".

O governo Michel Temer (MDB) foi representado apenas pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, cuja presença não foi mencionada pelo mandatário mexicano.

As festividades da posse incluíram a abertura da residência presidencial Los Pinos para visitação pública. O local, usado pelos mandatários desde 1934, passará a ser um centro cultural –López Obrador continuará morando em sua casa.

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