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RECURSOS EXTRAS

Governo amplia recursos para games com R$ 45 mi em novos editais

Governo amplia recursos para <BR>games com R$ 45 mi em novos editais

Redação

06/12/2018 - 09h00
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O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, anunciou, nesta quarta (5)-feira, investimento de R$ 45 milhões no setor de games do país. O valor corresponde a mais que o dobro dos recursos investidos até hoje pelo FSA (Fundo Setorial do Audiovisual) na produção de jogos. 
"O futuro do Brasil passa pela economia criativa e pela indústria de games, porque nós já demos muitas demonstrações de que somos bons nisso, mesmo tendo uma indústria ainda incipiente", disse o ministro em mesa durante a Unlock CCXP, feira de negócios da Comic Com Experience 2018, em São Paulo.
Os recursos anunciados serão divididos em três editais: produção de jogos (R$ 16,75 mi), complementação de investimentos privados (R$ 10,5 mi) e comercialização (R$ 8 mi). Haverá também investimentos de R$ 10 mi em aceleradoras de empresas de games, realidade virtual e realidade aumentada.
Pela primeira vez, haverá percentual mínimo de 10% para projetos de realidade virtual e realidade aumentada, o que deve impulsionar projetos.
A Ancine (Agência Nacional do Cinema) destinou R$ 10 milhões à produção de jogos por ano, em 2016 e 2017. Nesses editais, havia três faixas de investimento: até R$ 250 mil, até R$ 500 mil e até R$ 1 milhão. Dos 45 projetos selecionados, 41 receberam até R$ 500 mil.  

No novo edital, haverá dois patamares, com limites de R$ 750 mil e R$ 3 milhões por projeto.

À reportagem, o diretor-presidente da Ancine, Christian de Castro, afirmou que o amadurecimento do setor nos últimos dois anos justifica a criação de novas linhas de investimento e o aumento dos recursos. "Os editais ajudaram, como linhas adicionais de financiamento de games, e possibilitaram a aceleração do mercado."

Proprietários de estúdios consideram os valores dos editais anteriores modestos em relação aos orçamentos médios do setor. Mas ressaltam que os investimentos do FSA garantem previsibilidade financeira e estimulam formação e retenção de mão de obra no país e projetos mais criativos.

O dinheiro da Ancine "nos permite ser um pouco mais experimentais", afirma Marcos Venturelli, do estúdio Rogue Snail. "Vamos tentar fugir dos clichês. Hoje no mobile os jogos são muito uniformizados."

Os editais anteriores não viabilizaram projetos de maior porte, mas diminuíram a dependência dos estúdios brasileiros de investidores internacionais, como plataformas de publicação.

"Se a gente não tem [recursos do FSA], ficamos fadados a fechar contrato com outros investidores e temos menos autonomia. Temos que ceder mais e inovar menos", diz Saulo Camarotti, do estúdio brasiliense Behold.

O FSA tem prioridade na recuperação dos investimentos, por meio das receitas de exploração comercial dos jogos.

Nos editais anteriores, 80% das receitas eram destinadas ao fundo até o retorno do valor investido, e 40% depois. Projetos do novo edital destinarão no máximo 60% de suas receitas ao fundo até o total aportado, e 10% das receitas depois da recuperação dos investimentos. O fundo tem orçamento anual de aproximadamente R$ 700 milhões.

O diretor-presidente da Ancine considera que a diminuição dos percentuais está alinhada às práticas internacionais de financiamento. Para ele, as regras anteriores podem ter prejudicado investimentos em projetos mais competitivos. "Não adianta entrarmos em um padrão diferente de mercado, porque acabamos perdendo os melhores projetos", diz

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