Cidades

SALÁRIO

Perto dos R$ 44 a mais no mínimo, aumento de R$ 7 mil dos vereadores gera indignação

Prefeito foi criticado por não ter vetado e reajuste foi considerado imoral

Izabela Jornada

04/01/2019 - 12h31

Na semana em que o governo federal aprovou o reajuste do salário mínimo, passando de R$ 954 para R$ 998 (R$ 44 a mais), foi confirmado o aumento de R$ 7 mil dos vereadores de Campo Grande. De R$ 15 mil, os parlamentares passarão a receber R$ 22 mil mensalmente a partir de 2022. O reajuste desagradou a maioria das pessoas entrevistada pela reportagem do Correio do Estado. “Absurdo, uma vergonha, onde já se viu isso? Enquanto o salário mínimo aumenta apenas R$ 44, uma mixaria, eles não se preocupam com a população”, criticou Araci Rodrigues, de 60 anos, professora aposentada.

O montador de palco, Gedeon Junior, de 37 anos, também expressou indignação quanto ao aumento salarial dos vereadores e lembrou dos benefícios que eles recebem. “Isso é uma 'sem vergonhice!' Eles tem regalias e a hora que eles aposentam continuam com os benefícios e os nossos? Eu tenho que pagar plano de saúde para os meus filhos”, declarou Junior. 

Além de reclamarem do pouco reajuste do salário mínimo, muitos lembraram da crise financeira que o país enfrenta. “Na crise que estamos e eles aumentando os próprios salários? Nós que deveríamos votar o aumento do salário deles”, disse a funcionária pública Antônia de Souza, de 73 anos.

O auxiliar administrativo, Givaldo Pedro Sales, de 19 anos, também compactua da mesma opinião de Souza. “Quem deveria votar o aumento do salário deles somos nós. Eles já recebem muitos auxílios, isso é um absurdo”, reclamou Sales.

Darci dos Santos, 78 anos, dona de casa, disse que a proposta da Câmara Municipal de Campo Grande, em que vereadores aprovaram aumento dos próprios salários, é incoerente. “Sou totalmente contra, enquanto eles ganham rios de dinheiro, nós não vamos ter nem R$ 1 mil de salário mínimo”, reclamou ela.

O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), poderia ter vetado o projeto, mas não o fez justificando que só vetaria se a proposta causasse impacto financeiro. Mas para a esteticista, Beatriz do Carmo, de 59 anos, mesmo que o aumento não causasse impacto, “o reajuste é imoral”, disse ela.

O aumento dos salários foi publicado na edição de ontem (3) do Diário Oficial de Campo Grande e, de acordo com o presidente da Câmara Municipal, João Rocha (PSD), o Legislativo tem 48h para promulgar a lei. Rocha completou que a promulgação será feita automaticamente e que no início da próxima semana será publicado o edital com essa promulgação.

*Colaborou Gabriela Couto

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