Cidades

REFORÇO

MS fecha o cerco contra a violência na fronteira

Segurança "sitia" Ponta Porã para evitar que briga entre quadrilhas se alastre para o lado brasileiro

Como parte da nova estratégia de segurança pública de Mato Grosso do Sul, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) deve arregimentar aproximadamente 25 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, com sede em Campo Grande. O objetivo é usar o conhecimento especializado dos integrantes do Choque para aumentar o efetivo e fortalecer o combate ao crime organizado nas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai, portas de entrada do tráfico de drogas e armas.

A mudança acontece porque o coronel Marcos Paulo, que já comandou o Choque, foi indicado para assumir o DOF – nomeação está prevista para o mês de fevereiro. Segundo Antônio Carlos Videira, titular da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o Estado deu carta branca para que Marcos Paulo monte a equipe que quiser, com servidores de sua confiança, incluindo de outras unidades da PM.

“Ele está livre para escolher quem quiser, desde policiais do Choque a policiais que estão em outras funções. No caso do Choque, é importante porque são policiais que têm conhecimento de polícia especializada e que, com os servidores do DOF, que são especialistas em policiamento de fronteira, vão trocar experiências e fortalecer nossa segurança pública”, disse o secretário. Na manhã desta sexta-feira, o Marcos Paulo participou de reunião para definir a escolha dos policiais.

Inicialmente, os 25 militares que vão para o DOF serão substituídos por outros da Capital e interior que já fizeram o curso do Choque e estão aptos a serem integrados ao batalhão. Neste sentido, Videira alega que não haverá prejuízos no efetivo. “Aqueles que eventualmente forem dispensados pelo DOF, vão para outras unidades e vice-versa, haverá remanejamento, mas o intuito do Governo é de aumentar o efetivo”.

Este aumento será feito a partir da nomeação dos candidatos aprovados em recente concurso. “Nossa estratégia, além da fiscalização nas estradas, é enfrentar com mais força o tráfico doméstico, que fomenta crimes como roubos, furtos e homicídios. Junto com delegacias de área, vamos colocar o DOF para fazer operação nos municípios e o conhecimento do Choque, unidade preparada para conflitos urbanos, será importante”.

OPERAÇÃO

A Sejusp iniciou nesta sexta-feira, em Ponta Porã, na fronteira com o município paraguaio de Pedro Juan Caballero, uma operação com policiais do DOF, Polícia Civil e a Polícia Militar, com objetivo de impedir que ataques do crime organizado como o que vitimou o ex-candidato a prefeito de Ponta Porã, Francisco Chimenez, tio do narcotraficante Jarvis Pavão, na madrugada de quinta-feira. 

O secretário Antônio Videira disse que o objetivo é “sitiar” a região por tempo indeterminado até que o risco de ataques no lado brasileiro da fronteira diminua, aumentando a segurança. “Além dos policiais, também temos servidores da inteligência da Sejusp para auxiliar nas ações, com apoio do helicóptero. Isso ocorre sem comprometer o policiamento que foi reforçado em Paranhos, Sete Quedas e Coronel Sapucaia”.
Chimenez foi morto na  quinta-feira, dentro de casa, na Rua Calógeras quase com a Guia López, em Ponta Porã. Mais de dez homens armados invadiram a residência e dispararam cerca de 190 vezes. Chico é a quarta pessoa ligada a Pavão que é morta em menos de três meses.

Traficante internacional identificado como Zacarias, chefe do “Bando do Zacarias” e um dos principais distribuidores de drogas da fronteira, foi alvo de ataque de guerra com bombas e granadas na madrugada do dia 19 de dezembro, em Ypehú, cidade paraguaia vizinha do município sul-mato-grossense de Paranhos. A ação, resultado da disputa entre grupos rivais do crime organizado, aterrorizou moradores.

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