Dois suspeitos, de 38 e 43 anos, que tentaram roubar o telhado da empresa Guedes Importação e Distribuição LTDA, na última quinta-feira (17), no Núcleo Industrial, em Campo Grande, queriam cobrir o barraco onde moram.
Conforme o delegado da 7ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, Dimitri Erick Palermo, em depoimento, suspeitos disseram que planejaram o roubo, mas não sabiam da presença do vigia. “Eles não têm nenhuma passagem, nem por furto. Só por porte de droga, mas pouca quantidade”, contou Dimitri.
O local, que está abandonado desde 2015, é constantemente alvo de furtos e roubos. “Há mais ou menos uns 20 dias atrás teve um furto nessa mesma empresa também. Foi depois disso que decidiram colocar um vigia”, disse o delegado.
Os suspeitos do último roubo, que são irmãos, foram detidos pela Polícia Municipal e continuam presos. Na ação, um dos assaltantes rendeu o vigia e disse estar com uma arma, como forma de coagir o trabalhador noturno, e cometeram o roubo.
Após acionamento da polícia, os agentes policiais foram até a empresa e a vítima descreveu os dois homens e o carro que eles estavam. Minutos depois, a Polícia Municipal encontrou a dupla pela região, prendeu e apreendeu o carro com os equipamentos usados no roubo.
No veículo, um Fiat Fiorino vermelho, foram encontrados uma lanterna, alicate, serras, parafusadeira, facas, chaves de fenda, de bocas, de rodas e fita isolante, além de 12 telhas de zinco roubadas, com oito metros de comprimento cada, que os suspeitos disseram que usariam em obras nos seus barracos.
ABANDONO
A empresa, que nasceu com a ideia de ser uma fiação de algodão que iniciou a construção em 2011 e fechou as portas em 2015, e hoje está falida. Ela recebeu terreno em doação condicionada do município e obteve benefício fiscal de ICMS.
Contudo, sem possuir planejamento econômico-financeiro, tampouco recursos próprios ou previamente viabilizados, o projeto trouxe forte efeito do endividamento, inclusive com fornecedores estrangeiros de fios.
O projeto, aprovado pelo Estado do Mato Grosso do Sul e pelo Município de Campo Grande, previu a instalação de somente um pavilhão de produção. Do prédio da empresa sobrou apenas o esqueleto. Após constantes roubos, o local foi parcialmente fechado mas continua sendo invadido.
SEDESC
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Campo Grande informou que já pediu a reintegração da área doada que tem 50 mil metros quadrados, sendo 7 mil m2 construídos. No entanto como a empresa está em processo de falência, a Sedesc pediu a cessão de uso precário do terreno e a Justiça já deu parecer favorável. Segundo a Sedesc, já existem empresas interessadas na área.
*Colaborou Rosana Siqueira