A demora para atendimento da perícia criminal nas ocorrências policiais é rotina em Mato Grosso do Sul. O motivo é a falta de profissionais na área. O deficit hoje é de quase 63% no número de peritos criminais e outros 70% para peritos médicos legistas. O levantamento foi feito pelo Sindicato dos Peritos Oficiais Forenses de Mato Grosso do Sul (Sinpof-MS).
A entidade reivindica a publicação do edital do concurso público que já foi autorizado pelo governo do Estado, já que a defasagem causa atraso no atendimento da população tanto para perícia em locais de crime como na liberação de corpos de vítimas de morte violenta.
No ano passado era aguardada a publicação do concurso para 170 vagas para o setor. Sendo 40 para médico legista, 40 para perito criminal, 40 papiloscopistas e 50 agentes de polícia científica. A justificativa da demora é que no início deste mandato está sendo avaliada a folha de pagamento do Estado para posteriormente abrir as vagas necessárias.
O deficit atinge tanto Campo Grande, onde está localizada a Coordenadoria Geral de Perícias (CGP) e seus institutos, como nas Unidades Regionais de Perícia e Identificação (URPIs), instaladas em Aquidauana, Corumbá, Costa Rica, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Nas URPIs, por exemplo, os peritos oficiais lotados precisam atender não só a cidade-sede da unidade, como outros municípios da região. Isso acarreta, algumas vezes, em deslocamentos de mais de 300 quilômetros em apenas um dia de plantão.
Segundo o sindicato, esse problema já é recorrente há mais de dois anos, gerando sobrecarga e estresse nos servidores. A situação é de conhecimento de autoridades, inclusive do Ministério Público Estadual, notificado em 2017.
A abertura de concurso público para preencher ao menos algumas das vagas abertas ainda aguarda trâmites burocráticos para avançar. Por lei, Mato Grosso do Sul tem 330 vagas para peritos criminais e 165 para peritos médicos legistas. O quadro de servidores em 2018 era de 120 peritos criminais ativos e 48 peritos médicos legistas.