Cidades

TRAGÉDIA

A cidade está um "pandemônio", diz campo-grandense em MG

Chocado, Lincoln Siqueira está há 13 anos na capital mineira

Redação

25/01/2019 - 18h46

Após rompimento da barragem em Brumadinho (MG), moradores procuram se abrigar nas áreas mais altas da cidade e ter informações sobre familiares e conhecidos que estavam próximos ao local. “A cidade está um pandemônio. As pessoas estão muito assustadas”, disse o campo-grandense  Lincoln Siqueira, 50 anos, 19 deles morando na capital Belo Horizonte.

"Não existe sinal de celular, as pessoas estão tendo que subir em seus telhados. Não tem como contar os feridos. Caminhões, carros, escavadeiras e até gado estão soterrados pela lama. É uma tragédia incalculável Vocês não têm ideia do que está acontecendo", disse, por telefone ao Correio do Estado.

Segundo ele, o segundo desastre ambiental em Minas Gerais em menos de cinco anos merece reflexão. "Até quando vamos viver esse tipo de situação. A ganância pelo desenvolvimento, crescimento, sem que se respeite a sustentabilidade", disse.

Dona de um restaurante em Brumadinho, Genilda Dalabrida disse que os moradores estão acompanhando os resgates e procurando familiares, amigos e conhecidos que estavam próximos ao local e podem ter sido atingidos. “Você vê pessoas com celular na mão, tentando falar com família”, disse. Genilda relata que está tentando encontrar o ex-marido, que trabalhava no local, mas ainda não conseguiu contato.

De acordo com Genilda, além desse esforço, moradores estão buscando se deslocar para regiões mais seguras, nas áreas mais altas da cidade. Os donos de comércios no centro estão fechando as lojas.

“A preocupação é quem não está lá ir para locais seguros. Minha funcionária foi, voltou, e disse que a água estava baixa. Ela contou que vai para a casa da sogra, em um distrito mais alto”.

Seu restaurante fica em um local na área mais alta. Ela chamou amigos para se abrigarem lá. “Nós estamos seguros porque não estamos perto do rio. Tem muito lugar para espalhar até chegar aqui, não temos risco”, disse.

Rompimento

A barragem rompeu na manhã de hoje (25). A Vale do Rio Doce, empresa responsável pela barragem, divulgou nota há pouco. Segundo o comunicado, a barragem estava localizada na Mina Feijão.

“As primeiras informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Ainda não há confirmação se há feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens”, informou a empresa.

Movimento dos Atingidos por Barragem diz que é uma tragédia anunciada

O Movimento dos Atingidos por Barragens prestou solidariedade hoje (25) aos atingidos pelo rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão, que pertence à mineradora Vale, no início da tarde. “Há apenas três anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, mais um crime contra a vida é fruto desse modelo que apenas provoca tragédias anunciadas”.

Por meio de comunicado, o movimento diz ter denunciado o atual modelo de mineração utilizado no país, citando "empresas privatizadas e multinacionais que visam ao lucro a qualquer custo”. “Mais uma vez, o lucro está acima de vidas humanas e do meio ambiente”, destacou a nota.

De acordo com o movimento, a barragem tem capacidade de 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos que, caso cheguem até o Rio Paraopeba, devem deixar um rastro de destruição, colocando em risco o abastecimento de milhares de famílias em mais de 48 municípios da Bacia do Paraopeba.

“Desde o ano de 2015, inúmeras denúncias vêm sendo feitas pelo risco de rompimento de barragens do complexo e, ainda assim, a Mina Córrego do Feijão teve sua ampliação aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental em dezembro do ano passado, 2018”, ressaltou o movimento.

Hospital em BH recebe vítimas de rompimento da barragem em Brumadinho

O Hospital João XXIII, instituição pública vinculada ao estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, informou em nota que acionou seu plano de atendimento para múltiplas vítimas de catástrofes. A iniciativa busca priorizar a assistência aos atingidos pelo rompimento da barragem da Mina Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana.

A nota informa que às 15h deram entrada no hospital dois pacientes do sexo feminino trazidos por helicóptero. "Elas estão estáveis, conscientes e passam por avaliação. A diretoria do Hospital João XXIII pede que os casos não relacionados a esta tragédia sejam encaminhados para outras unidades de emergência ".

O rompimento da barragem, que pertence à mineradora Vale, ocorreu no início desta tarde (25) liberando no meio ambiente um volume ainda desconhecido de rejeito. O Corpo de Bombeiros atua no local.

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