Criado, inicialmente, apenas para uso de comerciantes, o aplicativo Cidadão Integrado – lançado em dezembro do ano passado –, agora também será disponibilizado à população, por meio de líderes comunitários. A novidade foi informada pelo diretor-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Vila, e serve de alento diante da onda de criminalidade enfrentada pela Capital, mostrada em reportagem do Correio do Estado de sexta-feira (25).
Conforme Vila, o objetivo é ampliar o alcance do programa, de forma que ele contribua com a segurança de todos. “Esse programa não substitui o monitoramento feito pela polícia, ele é um plus para que o empresário se sinta mais seguro. A partir da semana que vem, nós vamos iniciar reuniões para que pessoas credenciadas possam participar do programa. E não são pessoas pagantes do sistema, são pessoas comuns, da comunidade, líderes que podem contribuir com a segurança”, explicou.
Gerido pela CDL, o programa funciona por meio de aplicativo instalado em celulares e conta com recursos como o botão de pânico, permitindo acionar a polícia mais próxima do local da ocorrência. Troca de mensagem em tempo real para solicitar atendimento também está entre os mecanismos disponíveis.
Entre as principais ferramentas do programa está o acesso a imagens de câmeras de segurança já instaladas nos estabelecimentos integrantes do projeto, bem como a instalação de novos aparelhos de captação de imagem. Até agora, são 150 acessos de câmeras, em 50 pontos diferentes.
Estão sendo monitorados, além do Centro, os bairros Santa Emília, Núcleo Industrial, Caiçara, Chácara Cachoeira e Monte Castelo. Estudo está sendo feito em regiões consideradas violentas, como os corredores do Nova Lima, Tiradentes e Raquel de Queiroz.
Para o comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar Claudemir de Melo Domingos Braz, já é possível perceber uma redução da criminalidade nos pontos onde as câmeras estão instaladas. Um exemplo citado por ele é a Praça dos Imigrantes, ponto crítico, onde eram registrados cerca de 25 crimes por mês e que, após a instalação das câmeras, ainda não registrou nenhum.
“Tem 30 dias que o sistema foi colocado no ar e onde ele funciona não houve mais ocorrências. A gente imagina que seja porque as pessoas que praticavam esses crimes têm se sentido intimidadas com as câmeras, principalmente porque sabem que a imagem fica salva, independentemente de qualquer dispositivo. Mesmo que levem as câmeras, teremos as imagens salvas por até sete dias”, explicou.
Na praça, comerciantes também aprovam o sistema. “Melhorou muito para nós. Antes a gente tinha problema de furto, vandalismo, até a fiação levavam, e eu tinha muito medo de vir aqui à noite, porque às vezes precisa vir, mas agora não. Até os andarilhos que viviam por aqui se afastaram”, conta a artesã Isaura Marim Chaves.
INSEGURANÇA
Na sexta-feira (25), o Correio do Estado mostrou que uma onda de criminalidade vem atingindo a Capital, do Centro à periferia. Crimes recentes chamam a atenção pela facilidade com que criminosos têm agido no Centro e em bairros da cidade, além do risco que se corre dentro e fora de casa.
Dono de um prédio desocupado no distrito de Indubrasil, o empresário Humberto Calderan já calcula um prejuízo de R$ 400 mil, em razão da série de furtos praticados no local.
O prédio era de uma empresa que faliu e ficou sem vigilância por alguns meses, quando assaltantes levaram fios, telhas e até os vasos sanitários. “Foram muitas vezes, vinham até de caminhão para furtar. Só não levaram as paredes, porque a fiação elétrica, rede de alta tensão, cinco mil metros quadrados de tela, tudo que é vaso de banheiro, granito foram levados, foi uma coisa absurda”, disse.
Por dia, a polícia registra cerca de 60 casos de roubo/ furto na Capital. De 1º de janeiro até ontem, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) registrou 909 furtos e 305 roubos. Em todo o ano passado, foram 16.817 furtos e 5.723 casos de roubo.