Piloto agrícola e produtor rural foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal, pelo crime de coação no curso do processo, por ter ofendido procuradores e ameaçado jogar bomba na sede do MPF, por conta da atuação no órgão em defesa da comunidade indígena em processo judicial de reintegração de posse, ajuizado pela família do produtor.
Conforme denúncia, investigações começaram após o produtor rural ir até a sede do MPF, onde estacionou sua caminhonete em em frente à entrada do estacionamento privativo de integrantes e servidores da Procuradoria da República e, por cerca de 15 minutos, ofendeu e ameaçou os procuradores. Segundo o vigilante do local, as ameaças foram por conta do produtor ter perdido um pedaço de terra.
Por conta da situação, foram feitas diligências para descobrir a identidade do suspeito. Segundo o Ministério Público, foi constatado que o homem é pilito agrícola, contratado por empresa de aviação comercial, e fez diversas postagens em redes sociais com críticas ao MPF e a União por prisões de réus do chamado “Massacre de Caarapó”, sugerindo ações violentas contra indígenas.
Em depoimento, o suspeito afirmou que, após a morte do pai, tentou vender parte da fazenda da família, mas as negociações emperraram pelo fato da área ser reivindicada pelos indígenas como território de ocupação tradicional, estando parcialmente ocupada pelos índios desde 2002.
A área, conforme o Ministério Público, é denominada Passo Piraju e objeto de estudo de identificação e delimitação pela Fundação Nacional do Índio (Funai).
Denúncia do MPF destaca que a ameaça de jogar uma bomba na procuradoria, ao passar por cima da sede com seu avião, foi motivada pelo processo administrativo de demarcação da terra indígena, “além da atuação do Ministério Público Federal na defesa da comunidade indígena em processo judicial de reintegração de posse, ajuizado pela família do denunciado”.
O denunciado tem passagens pela polícia por crimes como ameaças, violência doméstica, vias de fato, dano e lesão corporal contra indígenas. Ele também é réu pelo crime de tráfico internacional de drogas.