Uma iniciativa de capacitação profissional realizada pela Agência Estadual de Administração do sistema Penitenciário (Agepen), oferecerá aos internos da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande, a oportunidade de se capacitarem na área de corte e costura industrial.
O treinamento será desenvolvido por meio do Projeto de Capacitação Profissional e Implementação de Oficinas Permanentes (Procap), executado em conjunto com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
De acordo com o diretor da penitenciária, Paulo Godoy, a capacitação, além de proporcionar profissionalização aos custodiados vai possibilitar a fabricação de uniformes para os detentos, um dos direcionamentos já previstos para este curso do projeto. “Iremos utilizar a oficina de costura, bem como insumos fornecidos pelo Procap, para garantir a confecção desses uniformes para toda a massa carcerária aqui da unidade”, informa.
Em Mato Grosso do Sul, existem 45 unidades prisionais, das quais nove se localizam em Campo Grande. Cumprem pena no regime fechado 11.342 homens e 789 mulheres, enquanto nos regimes semiaberto e aberto são 3.242 presos e 204 presas, além de 596 monitorados por tornozeleira eletrônica, entre homens e mulheres.
REINSERÇÃO SOCIAL
O trabalho é coordenado pela Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen, por meio da Divisão de Educação, e tem por objetivo recuperar com o trabalho a autoestima e o bem-estar psicológico de pessoas em situação de prisão, evitando, assim, que retornem à criminalidade por falta de oportunidades.
“O reeducando vai cumprir pena e um dia vai voltar à sociedade e precisa estar regenerado. A educação profissional é uma forma de dar ferramentas para a pessoa ter uma vida normal quando deixar a prisão”, explica o diretor-presidente da Agepen, Aud Chaves.
Com 160 horas/aulas, entre teoria e prática, a qualificação na Máxima conta com a participação de 11 reeducandos, que aprendem sobre os diferentes tipos de máquinas de costura e como confeccionar bermudas, camisetas e calças. “Eles poderão atuar em qualquer indústria de confecção”, assegura a instrutora Idely Sante Alvarenga Barbosa dos Santos, da ONG Artaban, e que há cerca de 40 anos desempenha a profissão de costureira.
DEPOIMENTOS
Aos 51 anos, o custodiado Fernando Amaral teve o primeiro contato com as máquinas de costura durante o curso. “No começo, achei um pouco difícil, cheguei a demorar três dias para fazer uma camiseta, agora consigo fazer três camisetas em um dia”, comenta.
Segundo ele, o oferecimento de qualificação profissional é essencial para a mudança de vida. “Os cursos oferecidos aqui no presídio são uma importante forma de ressocializar, muitas pessoas pensam que quem está preso não tem mais jeito, mas na verdade muitos de nós temos interesse em aprender uma profissão”, afirma.
O interno Giovane Luiz Pelo, 24 anos, revela que a motivação para participar do curso veio da possibilidade de conquistar uma nova profissão. ”Achei bem proveitoso, consigo costurar camisetas e calças. Caso eu tenha oportunidade de trabalhar com isso quando eu estiver na rua, acredito que estou apto a desempenhar”, diz.
Segundo a chefe da Divisão de Educação da Agepen, Rita de Cássia Argolo Fonseca, para este ano, apenas por meio do Procap, estão programadas outras 15 oficinas com cursos de qualificação profissional nas áreas de panificação, marcenaria, serralheria e corte e costura, beneficiando diretamente aproximadamente 700 reeducandos.
Conforme a Lei de Execução Penal (LEP), a cada 12 horas de estudo, o detento tem direito a remir um dia da pena. Além do desconto no total de pena a ser cumprida, estudar abre oportunidades de recomeço aos custodiados.
*Com informações Ascom Agepen