O Ministério da Saúde vai fazer uma vistoria na Santa Casa de Campo Grande, nos dias 13 e 14 de fevereiro. A medida determinada pelo ministro sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta é para verificar o plano operativo do hospital e a real necessidade de recursos extras, na ordem de R$ 8 milhões, para a Unidade do Trauma.
Técnicos do ministério vão levantar dados e verificar se o hospital realmente precisa do montante milionário para custear o novo setor. As dúvidas surgiram a partir do início efetivo do funcionamento da unidade, no dia 10 de setembro do ano passado – quase cinco meses após a inauguração do prédio. Até agora, o setor ainda não opera com 100% da capacidade e é alvo de investigação do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) e do Ministério Público Estadual (MPMS), por estar subutilizado.
Além disso, a própria Secretaria de Estado de Saúde (SES) revela que a parte que lhe caberia do repasse – R$ 2 milhões – só seria efetivada “mediante produção da Santa Casa”, o que até agora não aconteceu. A pasta informou que, para a liberação da quantia, é necessário o aumento da produção de novos serviços de alta complexidade.
Em três meses, entre outubro e dezembro de 2018, o hospital recebeu total de R$ 1,350 milhão, o que não equivale nem a uma parcela inteira, pelos serviços realizados. Porém, o repasse da SES foi progressivo. Em outubro, R$ 400 mil; e no mês seguinte passou a R$ 450 mil, fechando o ano em dezembro, com valor de R$ 500 mil em procedimentos. Bem abaixo do valor de R$ 2 milhões almejado pela Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), que administra o hospital.
PROMESSAS
Enquanto o atual ministro da Saúde tenta contornar uma promessa feita por sucessores dele na pasta, mesma postura adotada pelo recém-nomeado secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, que também já assumiu na mesma situação, o presidente da ABCG, Esacheu Nascimento, passou a ter de seguir regras técnicas exigidas pelo órgão federal, para conseguir o que pleiteia desde que ocupa o cargo.
“Com essa vinda da equipe de técnicos do ministério, talvez a gente tenha um desfecho da situação da Santa Casa. Será feito levantamento da necessidade desse recurso, se é suficiente ou se vai ser menor. Não querem mais que ele [Nascimento] entregue os documentos pessoalmente, tem de passar para o secretário [municipal de Saúde] Marcelo Vilela. O trânsito era muito aberto. Basicamente o ministro Mandetta é muito mais de critérios técnicos do que de questões políticas como era anteriormente”, sentenciou Resende.
Com as portas fechadas, Nascimento já viu de longe a primeira derrota. Precisou passar o plano operativo do hospital para as mãos do titular da Sesau. Vilela foi quem entregou o documento no Ministério da Saúde, em Brasília (DF), na terça-feira (5). “Já tinha sido entregue em novembro [de 2018] e agora novamente. E vai vir a equipe do Ministério da Saúde, para checar o plano e fazer o levantamento do serviço da Santa Casa”, confirmou o titular da SES.
Reportagem publicada pelo Correio do Estado na edição do dia 5 de setembro de 2018 mostrou que, apesar de o hospital ter conseguido R$ 18 milhões para iniciar as atividades naquele mês, a partir de janeiro deste ano já não havia garantia de recursos para a manutenção dos atendimentos.
A Unidade do Trauma possui 100 leitos, e a expectativa era de que absorvesse a demanda em relação à urgência de traumas e a outros atendimentos ambulatoriais. A Santa Casa foi procurada para informar sobre a ocupação e o funcionamento do setor, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição. O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, não atendeu aos telefonemas da reportagem.