Cidades

CAMPO GRANDE

Decreto de emergência sobre dengue deve sair após o Carnaval

Prefeitura espera análises para ter aprovação pelo Ministério da Saúde

Redação

28/02/2019 - 16h29

A situação epidêmica de dengue que assola Campo Grande deve ter sua situação decretada pela Prefeitura junto ao Governo Federal somente após o Carnaval.

A situação foi explicada nesta quinta-feira (28) pelo secretário municipal Marcelo Vilela, durante as prestações de conta do último quadrimestre do ano passado da Pasta, na Câmara Municipal.

Segundo o mandatário da Saúde, o pedido ainda está na primeira etapa do trâmite, sob análise da Defesa civil. Depois disso, o pedido deve passar por análise do Ministério do Desenvolvimento Regional, voltar para a secretaria municipal, para só então seguir para o Ministério da Saúde

O trâmite todo demora em torno de dez dias úteis.

Caso a Pasta federal autorize a situação de emergência, Campo Grande teria mais celeridade na compra de medicamentos e insumos, além de ter facilitada a contratação de mais profissionais para reforçar o atendimento nas unidades de saúde do município.

Dados registrados pela Secretaria Municipal de Saúde e pela Secretaira de Estado de Saúde demonstram que a incidência de dengue já supera a marca de 300 casos para cada 100 mil habitantes em Campo Grande. Portanto, a Capital já registra epidemia da doença, que pode ter matado um menino de 5 anos na última segunda-feira, no que pode ter sido o primeiro caso de vítima fatal neste ano. 

A situação de emergencial só pode ser decretada com autorização do ministério, sob responsabiliadde do sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta.

Conforme o Boletim Epidemiológico da Pasta estadual, divulgado na quarta-feira (27), a incidência é de 403 casos para cada 100 mil habitantes. O índice é considerado alto, assim como em outros 12 municípios do Estado: Figueirão, Três Lagoas, Sidrolândia, Água Clara, Selvíria, Rochedo, Camapuã, Aparecida do Taboado, Novo Mundo, Vicentina, Coxim e Corguinho.

A Pasta de Vilela aponta que entre o dia 1º de janeiro até o dia 26 de fevereiro foram 6.414 casos de dengue notificados. Apesar de expressivo, o número é menor do que o registrado no mesmo período em 2016, quando ocorreu a última epidemia da doença. À época foram notificados mais de 19 mil casos de dengue, somente nos primeiros 60 dias do ano. Em todo aquele ano, foram mais de 30 mil casos.

O aumento de casos em 2019 motivou a Prefeirura a emitir um alerta de risco eminente de epidemia de dengue, na última segunda-feira, quando a incidência ainda era de 294 casos para casa 100 mil habitantes. 

Apesar da situação de epidemia, o Boletim Epidemiológico da secretaria estadual demonstra que em Campo Grande apenas 74 casos de dengue foram confirmados por critério laboratorial neste ano, enquanto por critérios clínicos-epidemiológicos, baseado nos sintomas, foram 1.476 registros. Portanto, um total de 1.550 confirmações. 

SITUAÇÃO

Sobre o provável estado de emergência, Vilela disse nesta quinta que a Pasta já tem uma estratégia definida para reforçar os atendimentos médicos. Segundo ele, é esperado "que o povo assuma a responsabilidade de seus plantões." 

O responsável pela Saúde municipal afirma que o prefeito Marcos Trad (PSD) tem todo o direito de visitar unidades e reclamar dos problemas encontrados, mas disse não temer uma exoneração, como chegou a ser ameaçado nos últimos dias.

"Enquanto não sair no Diário Oficial (a exoneração), o secretario sou eu e vou lutar até o último segundo para provar que a secretaria faz seu trabalho. Eu nunca deixei de falar que o povo está sofrendo. E a principal reinvidacação é a demora no atendimento. Isso não é só conosco. Se você for em unidades privadas vai encontrar isso. Só que nossas proporções são muito maiores", disse.

Quando diz das responsabilidades dos médicos nos plantões, Vilela ressalta que a Prefeitura encontra dificuldade em manter seu quadro de funcionários completos.

"Só esse ano eu já chamei 300 médicos. É um fenomeno nacional (a falta de atendimento), é um comportamento da classe. Olha o Mais Médicos. A atividade pública não atrai eles para o mercado de trabalho", afirmou.

Vilela diz que sua secretaria tem em relatórios todos os trabalhos a serem feitos nas unidades municipais. Mas a Pasta vive um dilema: falta recurso. E não se ode pedir mais até prestar contas do que fora feito com as verbas obtidas anteriormente por gestões passadas. "Assumimos com 35 obras paradas. Conseguimos resolver 13 delas", disse.

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