Entre os meses de janeiro e fevereiro, os agentes de saúde de Campo Grande fiscalizaram 1178 imóveis sem moradores na região central da Capital e, em 80%, deles foram encontrados focos do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela.
Na manhã desta quinta-feira (28), os agentes foram até uma residência fechada no bairro Monte Líbano após terem solicitado as chaves da casa para imobiliária responsável. No local, a supervisora geral e o chefe da Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV), Rosana Mercado e Eliaze Guimarães conversaram com a imprensa.
Rosana comentou que os locais onde mais são encontrados focos do mosquito são vasos sanitários, ralos e piscinas.
Na região central foram fiscalizadas 744 casas fechadas em janeiro e outras 434 em fevereiro, com o auxílio de imobiliárias que liberam as chaves. Contando também as casas ocupadas, o total de fiscalizações passou de três mil.
O número de focos encontrados nestas residências fechadas ainda surpreende em meio a uma epidemia de dengue. “Quando encontramos o foco, fazemos a leitura se é ou não aedes e damos 48 horas para a imobiliária solucionar o problema.” Ela disse ainda que a leitura é repassada no mesmo dia.
Eliaze Guimarães completou que os agentes de saúde da prefeitura já estão com os alvarás para entrar nas casas com auxílio de chaveiros caso não encontrem nenhum responsável, mas isto só ocorre em último caso. “É um trabalho de rotina as imobiliárias liberarem as chaves para a gente fiscalizar. A fiscalização acontece todos os dias”, declarou.
Guimarães pontuou ainda que essa incidência no centro da cidade ocorre em decorrência da densidade populacional, “mas os focos são encontrados em todos os bairros”, lamentou. “Dengue é grave e temos de tomar providências”.
Dados registrados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e pela Secretaira de Estado de Saúde (Saúde) demonstram que a incidência de dengue já supera a marca de 300 casos para cada 100 mil habitantes, em Campo Grande. Portanto, a Capital já registra epidemia da doença. O município aguarda autorização do Ministério da Saúde para decretar situação de emergência.
Conforme o Boletim Epidemiológico da SES, divulgado nesta quarta-feira, na Capital a incidência é de 403 casos para cada 100 mil habitantes. O índice é considerado alto, assim como em outros doze municípios do estado, são eles: Figueirão, Três Lagoas, Sidrolândia, Água Clara, Selvíria, Rochedo, Camapuã, Aparecida do Taboado, Novo Mundo, Vicentina, Coxim e Corguinho.