Cidades

PUNIÇÃO

Município aperta fiscalização e começa a punir médicos

Relatório revela que médicos confessaram não cumprir carga horária, porque "salário pago é pouco para tal"

Quatro médicos da Rede Pública de Saúde foram afastados pelo prefeito Marcos Trad (PSD), na última sexta-feira (1º). De acordo com o gestor do Executivo, o afastamento dos profissionais se deve ao mau atendimento prestado, sendo que a medida pode ser estendida a outros servidores. “Estávamos sendo mal recebidos. A prefeitura é uma empresa pública, que tem regras como qualquer outra empresa, horário para chegar, horário para sair e formas de se atender, então, vamos cobrar”, justificou o prefeito.

Documentos aos quais o Correio do Estado teve acesso monstram que médicos teriam confessado que não cumprem a carga horário de trabalho. Os documentos são parte de um relatório feito pela Coordenadoria da Rede de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde Pùblica (Sesau) sobre visita realizada na Unidade Básica de Saúde “Dr. Antônio Pereira”, no bairro Tiradentes.

Conforme o relatório, durante reunião na unidade de saúde, a gerente teria tentado informar aos médicos Alex Bortotto Garcia, Edson Arruda Alves, Edson Satoshi Miyazato, Jacqueline Nazarko da Cunha, Rafael Garanhani e Mauro Carlos Martins sobre a necessidade de ampliar a oferta de atendimento a população. Ela teria explicado que os usuários classificados em azul na CRS, Tiradentes poderiam ser atendidos pelos profissionais da UBS, mediante disponibilidade de vagas, por isso a importância do cumprimento da carga horária de trabalho.

GANHANDO POUCO

Diante da situação, o médico Alex Bortotto Garcia teria argumentado que não conseguiria cumprir os horários, pois  atende todos os pacientes agendados e posteriormente vai embora. Garcia teria afirmado, ainda, que “essa exigência é desncessária e que se trata de novidade desta gestão, pois nas administrações passadas sempre pôde sair da unidade antes de cumprir o horário; [...] referiu ainda que o salário pago pelo município é pouco para que se exija tal cumprimento”.

O documento menciona ainda que o médico Edson Arruda concordou com o colega sobre a prática de sair mais cedo quando termina de atender seus pacientes agendados e acrescentou que “a única medida necessária é não deixar a unidade descoberta, ou seja, ter pelo menos um médico atendendo a população até o fim do expediente”, teria dito o profissional.

Consta no relatório que o médico Rafael Garanhani também posicionou-se a favor dos colegas, discordando das orientações e exigências da gerência. Mesma postura adotou a médica Jacqueline Nazarko da Cunha, que questionou as orientações afirmando que “tem uma lei sobre atender um paciente a cada 20 minutos”, alegando que se for obrigada a cumprir horário seria neste formato. O que, segundo o documento, “deixou claro que os profissionais não cumprem a carga horária preconizada”.

Na unidade ainda foram encontradas folhas de frequência dos profissionais com assinatura fictícia, uma vez que já estavam assinalados os horários de entrada e saída, com horários e datas até o fim do mes vigentes.

Os médicos serão submetidos a sindicância. No entanto, continuarão recebendo salários.

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