A cada nova convocação de médicos feita pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), menos profissionais se apresentam para o serviço e mais deixam os postos de trabalho.Desde 2017, a efetivação de médicos para atuar na rede pública de saúde vem caindo. Naquele ano, 577 profissionais foram convocados e apenas 202 ingressaram no serviço. A taxa de efetivação foi de apenas 35%. Já no ano passado, dos 1.081 médicos chamados, apenas 324 assumiram seus postos, ou seja, mais de 70% das vagas não foram preenchidas. Além disso, os médicos que assumem os postos de trabalho também pedem desligamento da Sesau ao longo do ano, aumentando ainda mais o déficit de profissinais nos postos.
Este ano, 537 médicos foram chamados para reforçar o atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centros Regionais de Saúde (CRSs) e unidades básicas (UBS/UBSF). Até o dia 19 de fevereiro, apenas 122 haviam se apresentado para assumir as vagas. O titular da Sesau, Marcelo Vilela, confirmou que as vagas estão “constantemente abertas”, mas não encontra explicação para o não preenchimento delas e posterior desistência daqueles que chegam a ser efetivados no serviço público.
Enquanto isso, o coordenador de urgência da pasta, Yama Higa, defende a remuneração dada aos médicos, que poderia ser um dos motivos da não retenção dos profissionais que vão em busca de melhores salários. “O rendimento não é ruim. A carga horária é de 24 horas semanais com salário de R$ 6,3 mil mais a possibilidade de fazer 14 plantões de R$ 1,1 mil cada um de 12 horas”. Ao ser questionado sobre o real motivo da fuga ele se limitou a dizer que é “complicado”.
Já o superintendente de Relações Institucionais de Saúde, Antônio Lastória, afirmou que no começo do ano alguns profissionais iniciam suas residências e acabam se desligando. “Vão embora, não é só questão salarial. A demanda é muito grande nas unidades 24 horas. Por isso, as chamadas estão permanentemente abertas. E quando os médicos assumem, ficam um ou dois meses e saem, então, a escala não fecha. A gente tem furos, além daqueles que na hora avisam que não vão e apresentam atestado”.
AFASTAMENTO
As faltas constantes dos profissionais e as reclamações nos atendimentos levaram o prefeito Marcos Trad a realizar “visitas surpresas” ao longo do mês de fevereiro nas unidades de saúde. Depois de o prefeito ouvir reclamações de pacientes e até ameaçar demiti-lo, o titular da Sesau, Marcelo Vilela, também visitou unidades.
E as vistorias deram resultado. Quatro médicos foram afastados preventivamente, por 60 dias, de suas funções. A medida foi publicada no Diário Oficial (Diogrande). O prefeito informou ao Correio do Estado que medida ocorreu em razão do mau atendimento que os profissionais estavam oferecendo. “Estávamos sendo mal recebidos”, justificou Trad.
Os quatro médicos – Jaqueline Nazarko da Cunha, Edson de Arruda Alves, Alex Bortotto Garcia e Rafael Garanhani – atendem na Unidade Básica de Saúde Dr. Antônio Pereira, no Bairro Tiradentes. Além de terem sido afastados, os profissionais foram submetidos a investigações e estão respondendo por processo de sindicância, que se trata de medida cautelar. Os médicos afastados vão continuar recebendo seus salários e outras punições só poderão ser aplicadas após o fim da sindicância.
“Com tantas ações positivas, queremos investigar qual o motivo da falta de celeridade no atendimento da população. Por isso, a pesquisa está ouvindo funcionários e usuários, a fim de compreendermos qual ponto precisa ser melhorado”, disse o prefeito, que garantiu continuidade das “batidas” nos postos. “Temos equipe de apoio para dar melhores condições à população”.