Cidades

RISCO

Desmoronamentos em avenidas revelam abandono de obras

Lúdio Martins Coelho e Ernesto Geisel têm pelo menos 6 pontos com asfalto cedido e deslize de terras

Seis pontos de desmoronamento ao longo de duas importantes avenidas de Campo Grande, Ernesto Geisel e Prefeito Lúdio Martins Coelho, representam riscos para quem trafega nos locais. Os problemas são antigos e em um dos casos a promessa era de arrumar a pista até 28 de dezembro do ano passado, mas até agora a situação não foi resolvida. A reportagem do Correio do Estado percorreu as duas vias e verificou que as frentes de trabalho estão abandonadas em cinco locais.

Para quem convive com as obras inacabadas e o risco diário nas vias, a situação não agrada. O vendedor de frutas José Dimas, 66 anos, trabalha há 14 meses na Avenida Prefeito Lúdio Coelho, próximo a entrada do Bairro Oliveira e do trecho da via que desmoronou - no sentido Comando Militar do Oeste (CMO). Ele acompanhou toda a movimentação do estrago até o concerto não finalizado da via. 

O barranco que foi parcialmente destruído e levado pela água fica sob um córrego, na calçada duas manilhas ocupam o espaço que deveria ser para pedestres, além de montes de pedetras. E na rua, uma das pistas está bloqueada, mas mal sinalizada. “Eu fico com medo, pois pode acontecer um acidente a qualquer momento. Vieram arrumar e não terminaram, deixaram tudo jogado e não voltaram mais”, afirmou Dimas.

Em outro ponto da via, mas já no Buriti, onde a avenida muda de nome e passa a ser Rua Praia Grande, o desmoronamento atingiu a ciclovia e também a pista esquerda. Cavaletes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito e fitas foram colocadas para sinalizar o perigo, o que não é suficiente para evitar outros problemas. “Como não terminaram de arrumar, tem muita coisa em cima da calçada e da ciclovia. É perigoso para todo mundo. E tem o agravante do pessoal que corre demais”, opinou o vendedor André Luiz Silva, 39 anos. 

Poucos metros dali um terceirou ponto de desmoronamento, no cruzamento com a Rua Panambi Vera, foi arrumado. A encosta da ponte desabou após duas chuvas, nos dias 13 e 26 de fevereiro. O loca é o único onde a intervenção foi concluída. Mas outro problema prejudicou quem utiliza a via, o semáforo do local estragou e precisou ser trocado. Ontem a reportagem flagrou quando a equipe da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), fazia a troca do equipamento.

A obra da avenida foi inaugurada em 17 de dezembro 2011, e é um dos pivôs da Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal. Desde que ficou pronta, a via tem histórico de buracos e incorreções na pista.

Executada pela Proteco, do empreiteiro João Amorim (preso desde maio de 2018), a intervenção custou R$ 21,3 milhões aos cofres públicos. Os pagamentos indevidos por causa das supostas fraudes no contrato do Complexo Lagoa - do qual a avenida faz parte - chegaram a R$ 475.547,69, e os serviços, que o Ministério Público Federal considerou “desnecessários” na construção da via, geraram um prejuízo de R$ 4,4 milhões aos cofres federais.

ERNESTO GEISEL

Já na Avenida Ernesto Geisel a situação é ainda mais preocupante. São três pontos de desmoronamento, na ponte da Avenida Arquiteto Vila Nova Artigas - no Aero Rancho -, no cruzamento com a Rua 26 de Agosto e também próximo a Avenida Euler de Azevedo - em frente ao local onde seria construído o Centro de Belas Artes. Além disso, a avenida também passa por obras de recuperação da margem do córrego em três trechos entre as ruas Santa Adélia e as ruas José Paes de Faria. 

A ponte no cruzamento das avenidas Ernesto Geisel com a Arquiteto Vila Nova Artigas foi liberada para passagem de veículos e pedestres, mas a obra de recuperação da lateral dela não foi concluída. O local sofreu desmoronamento durante as chuvas que ocorreram nos dias 13 e 26 de fevereiro e chegou a ficar interditada, mas os próprios moradores retiraram os cones e por conta própria voltaram a utilizar a via. 

A Sisep disse apenas que vai terminar a obra.  No local é possível constatar que houve reparos, mas não foram finalizadaos. Uma parede de concreto está empilhada no canteiro e a que segura as pedras para garantir o aterro da calçada aparentemente é provisória. “É super fininha, nem vai conseguir segurar pedra e água”, opina a vendedora, Maria Silva.

No cruzamento com a Rua 26 de Agosto o estrago não foi causado pela chuva. Em dezembro de 2017 a primeira placa de concreto caiu dentro do córrego, e agora outra ao lado da primeira no mesmo trecho, também caiu. 

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