Cidades

APROVADA NA CCJ

Nova PEC do Orçamento avança no Senado, que deve concluir votação nesta quarta

Nova PEC do Orçamento avança no Senado, que deve concluir votação nesta quarta

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A versão acordada entre Legislativo e governo da proposta de emenda à Constituição que retira do Executivo poder sobre o Orçamento foi aprovada na manhã desta quarta-feira (3) na CCJ (comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

No fim da tarde, a PEC do Orçamento será votada no plenário do Senado. Aprovada, retorna para a Câmara, onde a tramitação é mais lenta, e então volta ao Senado para que seja promulgada.

A comissão aprovou um aumento escalonado do percentual obrigatório das emendas coletivas 0,8% da RCL (Receita Corrente Líquida) em 2020 e 1% no ano seguinte. O governo queria um escalonamento em quatro anos.

Atualmente, este percentual está fixado em 0,6%. O texto que saiu da Câmara na semana passada elevava na Constituição este percentual para 1% já no primeiro ano, o que representaria um aumento de R$ 4 bilhões.

A Câmara estabeleceu que, a partir do segundo ano, o valor alocado em emendas seria corrigido pela inflação. Este artigo foi mantido pelo Senado.

"A decisão sobre o montante destinado às emendas de bancada estadual perpassa pelo contexto econômico atual e pela necessidade que o valor seja suficiente para viabilizar as emendas de bancada estadual", argumentou o autor do substitutivo apresentado, senador Esperidião Amin (PP-SC).

Outra alteração feita a partir do acordo entre Câmara, Senado e Executivo é a determinação de que emendas de bancada terão que ser apresentadas também no ano seguinte, até que a obra seja concluída. O governo temia que a redação aprovada pelo Senado criasse um cemitério de obras inacabadas.

"Adicionamos um último parágrafo, pois as programações oriundas de emendas estaduais, por sua própria natureza, abarcam em sua maioria investimentos de grande porte, com duração de mais de um exercício financeiro. Dessa forma, faz-se necessária a garantia da continuidade para evitarmos a propagação de obras inacabadas somadas à desorganização fiscal que diversas iniciativas concorrentes causariam se não contassem com o devido financiamento", disse Amin.

Também foi estabelecido que, se for verificado que a reestimativa da receita e da despesa poderá resultar no não cumprimento da meta de resultado fiscal estabelecida na LDO (lei de diretrizes orçamentárias), as emendas individuais e de bancadas também serão alvo de contingenciamento.

Quando voltar à Câmara, a PEC tem que passar pela CCJ, por uma comissão especial para, só então, ser votada em plenário. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a aprovação da nova versão da proposta só acontecerá depois da Páscoa.

A versão mais dura do texto havia sido aprovada pela Câmara na semana passada, quando a relação entre a Casa e o Palácio do Planalto estava estremecida. Por isso, foi entendida por governistas como uma resposta de Rodrigo Maia. O texto passou com ajuda dos votos do PSL, inclusive do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.

A nova versão também teve apoio do PSL no Senado. O líder do partido na Casa, senador Major Olímpio (PSL-SP), disse que seu apoio era oriundo de declarações do ministro Paulo Guedes (Economia).

"Me causou extrema preocupação, no momento da votação desta PEC lá na Câmara, sob o ponto de vista de promover um engessamento maior e impossibilitar o governo de desenvolver ações programadas e compromissos assumidos com a população brasileira", disse Olímpio.

O líder do partido de Bolsonaro, no entanto, disse que Guedes afirmou haver preocupação, mas que era preciso "ter uma sinalização com o Congresso, mais especificamente com os parlamentares".

"Quem sou eu para contestar questões econômicas que brilhantes homens da área econômica do governo estão dizendo que são suportáveis?", indagou o líder do PSL.

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